Porque decidi rodar o Brasil

Falar dos porquês que me motivaram a colocar a mochila nas costas e caminhar por terras brasileiras não é algo tão simples assim. As pessoas querem saber isso a todo tempo, e posso dizer que fica até impossível sintetizar tudo em apenas uma frase.

Porém, se fosse para fazer isso, eu escolheria uma que é do Amyr Klink, uma das pessoas que me inspiram quando o assunto é viajar, e ela já é até considerada clichê para quem conhece o cara:

“Um dia é preciso parar de sonhar, e de algum modo, partir”

 

A frase mais famosa do Amyr Klink – foto tirada aqui em Jericoacoara pelo Felipe que trabalha comigo no hostel!

Já adianto que foi um processo que me levou um certo tempo, com várias decisões que foram tomadas. Algumas delas considerei que foram acertadas, outras, na época, nem tanto.

Mas mesmo as que chegaram a me causar um certo arrependimento a curto prazo, foram essenciais para chegar até aqui e hoje fazem muito sentido para mim.

Minha ideia é compartilhar um pouco de como foi esse processo e essa experiência. Se o meu relato te ajudar a tomar alguma decisão importante na sua vida, esteja ela ligada a viajar ou não, ficarei muito feliz!

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#29. Pipa da Reflexão

Ainda na rodoviária de Jampa, esperei umas duas horas até embarcar no ônibus que vai para Natal. Pedi para o motorista que me deixasse no meio do caminho, na cidade de Goianinha. Nisso, estava conhecendo mais um estado novo, o Rio Grande do Norte.

Goianinha

Desci e caminhei por aquela cidade bem pequena, fiquei um tempo observando a igreja em uma pracinha e esperei no ponto, onde ficam as vans que levam as pessoas para a praia de Pipa. Depois de uns 40 minuto de viagem, cheguei em mais um paraíso prometido.

Pipa fica em Tibau do Sul, a cidade tem um clima bem legal e uma “buena onda”, como dizem os argentinos. Infelizmente não consegui aproveitar tudo aquilo conforme gostaria ou imaginava.

Peguei uma semana inédita de muita chuva, que insistiu em me acompanhar por todos os dias, mas também me ensinar algumas coisas, passei também o primeiro perrengue de saúde durante a viagem, contarei mais detalhes mais adiante.

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#28. O Maior São João do Mundo

Depois de sair no meio da tarde de Recife, cheguei em Jampa, a nossa querida João Pessoa, já era início da noite. Durante o trajeto, na estrada, enquanto ganhava chão, a sensação de conhecer mais um estado tomava conta de mim: seja muito bem-vinda Paraíba!

Quem me acolheu por lá foi a Marina, uma grande amiga de alguns anos e estava residindo na cidade há alguns meses, ela foi super parceira e me aturou por uma semana na casa dela. Ela trabalha na secretaria de educação da Paraíba, conseguiu essa oportunidade por uma iniciativa muito bacana chamada Vetor Brasil, um programa de trainees que leva jovens talentos para trabalhar na área pública.

Já faz um tempo que eu sabia que ela era apaixonada por essa área e queria muito atuar na gestão pública. Estava bem feliz de ver que estava trilhando esse caminho e trabalhando com algo que gosta!

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#27. Arraial do Amparo

Finalmente cheguei em Recife, mais uma capital brasileira desconhecida por mim até então. O cara que me deu carona desde Tamandaré ajudou a buscar informações sobre onde poderia pegar um ônibus até Olinda.

Alguns dias antes, a ideia inicial era ficar em Recife, mas recebi duas recomendações que me garantiram que estar em Olinda seria mais a minha cara, algo mais tranquilo e com boas opções de lazer, bem longe da babilônia que é a capital pernambucana. Resolvi confiar e não me arrependi.

Encontramos um ponto de ônibus, onde conheci o Seu Geraldo, um senhor que simpatizou comigo logo de cara, notou que eu estava viajando, ficava olhando para a minha mochila toda hora, já quis me passar todas as orientações possíveis sobre Recife desde aquele momento.

Quando o ônibus chegou, entramos. De repente, ele me falou que queria pagar a minha passagem. Não sei o que aconteceu comigo, mas eu não aceitei a gentileza daquele homem… vacilei feio!

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#26. Esqueci da Igreja

Depois de pegar 2 transportes saindo de Maragogi, coloquei os pés em mais um estado desconhecido por mim até aquele dia: Pernambuco, outra referência rica de cultura brasileira, estado onde está a terra do frevo e do maracatu, além de ter um dos carnavais mais famosos do país.

A cidade escolhida para iniciar essas descobertas foi a pacata e tranquila Tamandaré, que fica praticamente encostada na praia de Carneiros. Inclusive, é a opção mais barata ali da região, já que a maioria das acomodações em Carneiros possuem um custo alto pela localização, com o propósito de atender um público diferente dos mochileiros.

Caminhei até encontrar o único hostel da cidade, o Hostel 81, que está muito bem localizado, fica na orla da praia de Tamandaré.

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#25. Me despedindo do Alagoas

Estava em mais uma dessas vans que fazem o transporte entre as cidades alagoanas, até que ela parou em uma rua qualquer: era o ponto final da cidade de Maragogi. Desci, peguei minhas coisas e fui caminhando pela avenida beira mar até encontrar o Brazuca Hostel, indicação do Federico de Japaratinga.

Cheguei em uma porta pequena, com uma escada que leva até o segundo andar, é lá que funciona o hostel de fato. Quem me recebeu foi a Cíntia, uma das voluntárias que estava trabalhando ali e, assim como eu, tinha recém chegado.

Ela me apresentou o Tomo, o gerente do hostel, japonês, morando há mais de 3 anos no Brasil, com um português muito bom, que coloca a dificuldade dos orientais em aprender a nossa língua no chinelo.

Depois de me acomodar, pedi sugestões do que fazer. O Tomo me recomendou caminhar e conhecer a praia de Antunes, a mais conhecida ali nos cantos de Maragogi. Era isso que tinha para aquele dia então. Me troquei, atravessei a avenida, coloquei meus pés na praia principal e comecei a caminhar.

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#24. Com a minha melhor companhia

Depois de curtir a festa da cidade de São Miguel dos Milagres, no outro dia pela manhã já estava de pé para continuar a jornada pelo litoral Alagoano. Meu próximo destino estava na cidade que fica entre São Miguel e Maragogi: Japaratinga.

Nem deu tempo de tomar café da manhã que logo chegou a van com destino a Porto de Pedras, uma das cidades vizinhas, onde eu poderia pegar uma balsa que fazia o transporte de carros e pedestres até a margem que fica perto de Japaratinga.

Cheguei e a balsa ainda não estava no seu horário de saída. Um tiozinho me ofereceu a ida no seu barquinho por R$2, aceitei. Mas, antes de partir, uma série de “imprevistos” aconteceram: chegou um fiscal e deu a maior bronca nele, por causa da ausência de coletes salva-vidas no barco.

O senhorzinho foi buscar os coletes, que estavam lavando, na sua volta o fiscal pediu a documentação do barco, ele só tinha uma cópia não autenticada, ou seja, levou outra bronca. E lá foi ele novamente buscar outra coisa, me deixando sozinho no barco por alguns minutos.

Só sei que demorou tanto que deu tempo da balsa chegar e eu mudar de transporte para atravessar. Até queria ajudar o tiozinho, mas desse jeito não foi possível.

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#23. O Caribe brasileiro

Depois de sair logo pela manhã da praia do francês e passar por Maceió, no começo da tarde já estava na tão desejada São Miguel dos Milagres. A primeira impressão da cidade foi muito boa: lugar tranquilo, pacato, cidade de uma rua principal (que era pequena), uma pracinha, uma igreja e várias casinhas.

Em pouco mais de uma semana no Alagoas, tinha a impressão de que São Miguel dos Milagres chega a ser um lugar desconhecido até para os próprios nativos do estado. Depois de Piranhas, esse era o lugar que eu mais queria conhecer por ali, então, sempre que tinha a oportunidade, tentava puxar assunto sobre esse “paraíso escondido” com algum alagoano.

Para a minha surpresa, a reação da maioria deles era de total desconhecimento, apenas um ou outro conhecia ou já tinha ouvido falar. Em alguns casos, me deparava com expressões faciais que denunciavam o pensamento da pessoa, algo mais ou menos assim: “o que esse maluco tá falando? Será que ele não tá perdido não?!”

Brincadeiras a parte, estava eu em São Miguel dos Milagres agora, vendo com meus próprios olhos que não estava sonhando, nem delirando, a cidade e a praia existem e vale muito a pena conhecer!

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#22. Voltando para o litoral

Era sábado, depois de algumas poucas horas de viagem, desde a cidade de Penedo, estava de volta ao litoral do nosso país. Estava começando uma jornada de muitas descobertas pela parte litorânea do Alagoas. O calor era forte, pedi para o motorista da van me deixar no trevo da cidade de Marechal Deodoro.

Comecei a caminhar por uma avenida que me levaria até a orla da famosa praia do Francês. Depois de percorrer esse trecho entre o trevo e a praia, já estava quase que ensopado de tanto transpirar. Já tinha pesquisado e encontrado um único hostel por ali: o Hostel Ciganos.

Depois de ir para a direção errada do calçadão (a numeração das casas era confusa e não seguia uma ordem crescente ou decrescente), encontrei o albergue bem na ponta esquerda da orla da praia. Com aquele calor, eu só queria me instalar logo para tomar um banho de mar!

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#21. Meditando no Rio São Francisco

Lá pelas 5 da manhã já estava seguindo meu caminho estrada afora novamente, indo embora de Piranhas. A saudade já tomava conta de mim, mas o sono foi maior e, mesmo contra a minha vontade, me forçou a dormir.

Durante o trajeto até Arapiraca acordei diversas vezes, principalmente quando a van parava nos terminais para deixar e pegar mais passageiros. Eu não entendia nem um pouco como funcionava esse esquema do transporte entre as cidades do Alagoas, mas nem me preocupei muito com isso também, tinha em mente que sempre chegaria onde quisesse.

Já era quase 8 da manhã e eu acordei de vez, só pensava em como os últimos dias foram bons e queria muito que tudo continuasse assim, só que passando um pouco mais devagar. Observava a estrada com um pouco de ansiedade, até que finalmente cheguei na cidade, quando percebi já estava na rua de novo.

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#20. Paz e gentileza em Piranhas

Depois de acordar na tranquila Aracaju, naquele domingo pela noite já estava na tão desejada cidade de Piranhas, estava colocando meus pés em mais um estado brasileiro: Era a vez de conhecer Alagoas. O táxi me deixou ali na parte histórica da cidade, bem perto do Rio São Francisco.

Caminhei por poucos metros para encontrar o Albergue Maestro Egildo Vieira. Tinha recebido ótimas referências de lá, tanto de amigos mochileiros, quanto de outras avaliações que consultei na internet. Era ali que queria ficar, cheguei, mas estava fechado!

Tive que esperar um pouco e foi muito bom. Ali já deu para perceber o quão acolhedoras as pessoas são por lá: A vizinha praticamente me obrigou a sentar em uma cadeira enquanto ligava para o Nei, o responsável pelo albergue.

Em poucos minutos recebi o telefone, troquei algumas palavras com ele, que logo saiu da sua casa em um domingo a noite e se dirigiu para abrir o hostel para mim!

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