Porque decidi rodar o Brasil

Falar dos porquês que me motivaram a colocar a mochila nas costas e caminhar por terras brasileiras não é algo tão simples assim. As pessoas querem saber isso a todo tempo, e posso dizer que fica até impossível sintetizar tudo em apenas uma frase.

Porém, se fosse para fazer isso, eu escolheria uma que é do Amyr Klink, uma das pessoas que me inspiram quando o assunto é viajar, e ela já é até considerada clichê para quem conhece o cara:

“Um dia é preciso parar de sonhar, e de algum modo, partir”

 

A frase mais famosa do Amyr Klink – foto tirada aqui em Jericoacoara pelo Felipe que trabalha comigo no hostel!

Já adianto que foi um processo que me levou um certo tempo, com várias decisões que foram tomadas. Algumas delas considerei que foram acertadas, outras, na época, nem tanto.

Mas mesmo as que chegaram a me causar um certo arrependimento a curto prazo, foram essenciais para chegar até aqui e hoje fazem muito sentido para mim.

Minha ideia é compartilhar um pouco de como foi esse processo e essa experiência. Se o meu relato te ajudar a tomar alguma decisão importante na sua vida, esteja ela ligada a viajar ou não, ficarei muito feliz!

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#16. Refugando Morro de São Paulo

Reler o meu diário para escrever esse post me trouxe ótimas lembranças, estava com um sorriso no rosto o tempo todo, do início ao fim! Muito bom lembrar de dias que foram incríveis de uma forma tão natural!

Todos os lugares que eu fiquei por muito tempo, morando e vivendo, me trouxeram momentos que me marcaram. A grande peculiaridade de Boipeba, na Bahia, é que tive uma experiência muito semelhante, mas com o tempo bem mais curto: Menos de uma semana.

Vontade de ficar lá não faltou, infelizmente ou felizmente não deu muito certo. Apesar disso, escrevo agora para celebrar aquela semana inesquecível, dias que valeram muito a pena. Engraçado, justo Boipeba que eu também jamais sabia sequer da sua existência antes de partir. Santa ignorância!

Coloquei esse destino no meu radar porque recebi muitas recomendações de hóspedes que fiz amizade lá em Caraíva. O tempo por lá foi tão bom que nem deu tempo de atualizar o meu diário em nenhum dos dias. Fui só refletir e digerir o que aconteceu quando estava em Salvador, esperando o ônibus para Lençóis, a principal cidade da Chapada Diamantina.

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#15. De Taipu de Fora até Taipu de Dentro

Depois de uma semana intensa em Itacaré, com sol, chuva e praias novas, estava na hora de conhecer outro paraíso. Meu próximo destino foi Barra Grande (da Bahia), que fica bem ao norte de Maraú.

Na rodoviária de Itacaré, junto com a Bri, tomei um ônibus para Camamu, de lá pegaríamos um barco ou lancha rápida para Barra Grande. Como a estrada que liga Itacaré até Barra Grande é bem precária, essa é praticamente a única alternativa existente de transporte coletivo.

Não me recordo ao certo quanto tempo a viagem levou, só lembro que, ao sentar na poltrona, descansei, nem vi o tempo passar. Quando o ônibus fez a parada na cidade de Camamu, já entrou um cara dentro dele, perguntando quem ia para Barra Grande.

Ele nos ofereceu a lancha por R$ 20, a próxima iria sair em poucos minutos. Aceitamos e ele nos levou até o porto, onde embarcamos. Depois de uma hora e meia, com uma vista incrível, estávamos atravessando o deck em direção ao receptivo turístico de Barra Grande.

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#14. O paraíso baiano

O fim de semana emendado com o feriado foi muito bom! Os 3 dias em Piracanga passaram muito rápido. Às 11 da manhã entrei no carro que me levaria para a cidade de Itacaré. Tinha a companhia, além de um motorista português, de mais um menino de uns 10, 11 anos da comunidade, que foi deixado em uma escola ali perto, e mais um pessoal que foi fazer um retiro com foco em detox nos dias anteriores.

Assim como todo mundo que perguntava o que eu fazia da vida, quando falava que estava viajando, queriam saber como era viver dessa maneira, contei um pouco do que já tinha encontrado por aí no pouco tempo de caminhada. Com essa conversa, a volta até Itacaré passou voando.

O motorista me deixou em uma praça. A partir dela, caminhei até a Rua Pituba, a mais badalada da cidade.

A sensação era que estava “de volta a realidade”. Por um momento fiquei com uma certa dúvida, enquanto caminhava me questionava se eu já não estava fora da realidade por estar vivendo longe de uma rotina padrão, algo presente nos meus últimos 3 anos de vida… fiquei um tempo viajando nesse pensamento.

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#13. O amor em mim saúda o amor em você

Depois de um dia totalmente fora do comum, entrei no ônibus para Itabuna e simplesmente capotei! Só acordei perto de chegar na rodoviária, que estava lotadíssima, creio eu que muita gente teve que postergar a sua viagem de sexta para o sábado.

Em uma situação normal, eu deveria esperar apenas alguns minutos para embarcar no próximo ônibus para Itacaré, mas ele estava muito atrasado, em mais de uma hora. Finalmente ele chegou! Entrei, sentei, mas dessa vez não consegui pregar o olho.

Depois de passar por Ilhéus, cheguei na cidade intitulada de “Paraíso Baiano” perto das 3 da tarde. A rodoviária é bem pequena, subi uma rua e já estava em uma das avenidas principais. Eu não iria ficar em Itacaré naquele momento, passaria 3 dias desligado do mundo, na Ecovila de Piracanga, ela fica em um local bem afastado da cidade, indo em direção ao norte da península de Maraú.

Eu estava esperando o transporte agendado para me levar para a ecovila em um ponto combinado. Era um supermercado ali mesmo na avenida principal.

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#12. Hoje o ônibus não vai sair

E depois de 1 mês e meio, estava eu novamente na estrada. Dessa vez, dentro de um carro em movimento, percorrendo uma estrada com trechos de terra batida, acompanhado por duas gurias soteropolitanas, só observando a chuva cair.

Tirei uns 2 minutos para olhar profundamente para fora do carro e tentar processar tudo que tinha acontecido até ali, foi em vão, minha cabeça não me deixava focar e nem me concentrar. Caraíva foi muito bom, mas estava na hora de buscar mais bons momentos como os que vivi por lá, escrever mais histórias no meu diário…

Voltei para a realidade e comecei a observar o quão precária era a estrada que estávamos passando, a chuva, que oscilava entre forte e fraca, formou poças enormes, cada vez que o carro passava era um alívio, o medo dele atolar era grande, pelo menos para mim.

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#11. 19 de abril

Caraíva é um lugar mágico, diferente de qualquer outro que já estive até então. Independente de ser considerado turístico ou não, aquele vilarejo é recheado de histórias de pessoas iguais a mim ou você, que está lendo esse post.

Alguns nasceram lá, outros apenas descobriram um lugar tranquilo para morar, outros foram fazer negócios, outros apenas turismo, mas quase todos que vão, desejam voltar algum dia.

Independente de quem quer que seja, uma coisa não dá pra negar: Caraíva encanta qualquer um que coloca os pés em suas “ruas” tomadas por areia! Uma das histórias mais interessantes que eu conheci é a de um francês que mora lá há mais de 20 anos.

Daft Punk

Será que Caraíva, uma ONG e a dupla Daft Punk tem algo em comum? Pode acreditar, tem sim!

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#10. O forró daqui é melhor do que o seu…

Caraíva é um lugar muito especial. Para mim, é um dos “paraísos escondidos” que existem no Brasil.

Hoje, ela é tomada por uma boa infraestrutura para receber turistas, tem desde carroças com burros para transportar pessoas e cargas (lá não pode entrar carro), até pousadas e restaurantes para todos os tipos de gostos e bolsos.

Mas nem sempre foi assim. Conversando com o Pedro, ele me disse que frequenta Caraíva desde a sua infância, há pouco mais de 20 anos, naquela época a pousada era nada mais do que um pedaço de terra que a mãe dele comprou para ter uma vida tranquila.

Quando ela se mudou, não tinha nem energia elétrica. Aos poucos o cômodo que ela construiu virou uma casa, que depois virou uma pousada.

Até que chegou o momento em que Caraíva ficou muito grande e bem menos tranquila. Então, ela resolveu se mudar para outro lugar, deixando a pousada na mão de um gerente qualquer.

O Pedro estava tomando conta da pousada há pouco mais de 1 ano. Depois de deixar o seu trabalho em São Paulo, coincidiu da pousada estar precisando de um novo gerente, ele resolveu dar uma força para a mãe somente para colocar a casa em ordem.

As coisas deram tão certo, que ele resolveu ficar por lá e assumir definitivamente a administração da Pousada Raiz Forte.

Aliás, Caraíva é cheio de histórias de pessoas que vão visitar a vila como turistas e não voltam mais, ou quando voltam é só para arrumar as malas e se mudar definitivamente para aquele paraíso.

Eu mesmo pretendia ficar somente umas 3 semanas por lá… acabei ficando 6!

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#9. A praia no quintal de casa!

Cheguei em Caraíva exatamente no dia 30 da viagem, nas anotações do meu diário comemoro esse dia como uma grande conquista, talvez tenha sido a primeira desde quando eu botei o pé na estrada!

Esse primeiro mês de viagem passou muito rápido (e qual deles não passou?), e até aquele momento acho que ainda me questionava internamente sobre a sua continuidade por longo prazo, ela ainda era uma incógnita.

Esse “marco” me tirou um certo peso, que eu próprio tinha criado. Hoje vejo isso como uma preocupação desnecessária de um mochileiro principiante em busca de respostas.

Aliás, que delícia que está sendo reviver Caraíva! Bateu uma saudade boa daquelas 6 semanas que vivi por ali, paro e reflito como era o Matheus naquele momento e observo como é o Matheus de hoje… Ali foi o início de muitas mudanças.

Que tempo bom! Acho que foi o início de uma das minhas mais recentes (des) construções como ser humano. Caraíva foi essencial nesse processo sem mesmo ela (e eu) saber disso! Mudanças boas estavam por vir.

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Work Exchange: 5 maneiras para conseguir um trabalho enquanto viaja!

Work Exchange: 5 maneiras para conseguir um trabalho enquanto viaja!

Trabalhar voluntariamente enquanto viaja, é uma ótima maneira de economizar uma grana e ter novas experiências durante o percurso! Esse jeito de viajar possui nome e sobrenome: Work Exchange.

Eu fiz isso em alguns trechos da minha viagem, trabalhei em hostels, pousadas e até em uma fazenda. Posso dizer que foi uma ótima oportunidade de deixá-la ainda mais interessante.

Afinal, quando você está imerso em uma experiência como essa, muitos aprendizados e descobertas podem aparecer, tal como entender melhor a cultura local, adquirindo um olhar sobre as coisas de um modo muito mais nativo do que turístico, criando raízes com as pessoas e o próprio local .

Além disso, é uma chance de poder trabalhar em algo que você nunca fez na vida, ou então,  mesmo trabalhando em algo que não seja novidade, mas tendo a chance de aplicar seu conhecimento em outro contexto de realidade.

Se você ficou interessado em saber um pouco mais sobre isso, ou então está querendo ter uma experiência como essa, listei logo abaixo algumas maneiras de conseguir um Work Exchange.

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#8. Atravessando o portal

Sinceramente no momento em que começo a escrever esse post não sei nem por onde começar a falar o quanto Caraíva foi importante para mim!

Aliás, como relatar 1 mês e meio de uma experiência incrível, a qual foi recheado de boas vivências, tranquilidade, além de muitas descobertas, inclusive sobre a cultura de um local considerado paradisíaco? Talvez eu leve alguns posts para conseguir fazer isso sem deixar escapar nem um detalhe. Vamos tentar!

Para quem não conhece, Caraíva é uma comunidade litorânea e ribeirinha situada em Porto Seguro, na costa do descobrimento, no extremo sul do estado da Bahia, com uma população fixa de mais ou menos 1000 habitantes (Isso, segundo o Wikipedia :P).

Segundo a minha experiência, ela nada mais é do que um vilarejo de Porto Seguro, o qual considero um dos paraísos, ainda “escondidos”, desse país.

Só sei que esse lugar apareceu como um grande presente na minha vida, logo de um dia para o outro, antes mesmo de eu colocar o pé na estrada!

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