Porque decidi rodar o Brasil

Falar dos porquês que me motivaram a colocar a mochila nas costas e caminhar por terras brasileiras não é algo tão simples assim. As pessoas querem saber isso a todo tempo, e posso dizer que fica até impossível sintetizar tudo em apenas uma frase.

Porém, se fosse para fazer isso, eu escolheria uma que é do Amyr Klink, uma das pessoas que me inspiram quando o assunto é viajar, e ela já é até considerada clichê para quem conhece o cara:

“Um dia é preciso parar de sonhar, e de algum modo, partir”

 

A frase mais famosa do Amyr Klink – foto tirada aqui em Jericoacoara pelo Felipe que trabalha comigo no hostel!

Já adianto que foi um processo que me levou um certo tempo, com várias decisões que foram tomadas. Algumas delas considerei que foram acertadas, outras, na época, nem tanto.

Mas mesmo as que chegaram a me causar um certo arrependimento a curto prazo, foram essenciais para chegar até aqui e hoje fazem muito sentido para mim.

Minha ideia é compartilhar um pouco de como foi esse processo e essa experiência. Se o meu relato te ajudar a tomar alguma decisão importante na sua vida, esteja ela ligada a viajar ou não, ficarei muito feliz!

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#24. Com a minha melhor companhia

Depois de curtir a festa da cidade de São Miguel dos Milagres, no outro dia pela manhã já estava de pé para continuar a jornada pelo litoral Alagoano. Meu próximo destino estava na cidade que fica entre São Miguel e Maragogi: Japaratinga.

Nem deu tempo de tomar café da manhã que logo chegou a van com destino a Porto de Pedras, uma das cidades vizinhas, onde eu poderia pegar uma balsa que fazia o transporte de carros e pedestres até a margem que fica perto de Japaratinga.

Cheguei e a balsa ainda não estava no seu horário de saída. Um tiozinho me ofereceu a ida no seu barquinho por R$2, aceitei. Mas, antes de partir, uma série de “imprevistos” aconteceram: chegou um fiscal e deu a maior bronca nele, por causa da ausência de coletes salva-vidas no barco.

O senhorzinho foi buscar os coletes, que estavam lavando, na sua volta o fiscal pediu a documentação do barco, ele só tinha uma cópia não autenticada, ou seja, levou outra bronca. E lá foi ele novamente buscar outra coisa, me deixando sozinho no barco por alguns minutos.

Só sei que demorou tanto que deu tempo da balsa chegar e eu mudar de transporte para atravessar. Até queria ajudar o tiozinho, mas desse jeito não foi possível.

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#23. O Caribe brasileiro

Depois de sair logo pela manhã da praia do francês e passar por Maceió, no começo da tarde já estava na tão desejada São Miguel dos Milagres. A primeira impressão da cidade foi muito boa: lugar tranquilo, pacato, cidade de uma rua principal (que era pequena), uma pracinha, uma igreja e várias casinhas.

Em pouco mais de uma semana no Alagoas, tinha a impressão de que São Miguel dos Milagres chega a ser um lugar desconhecido até para os próprios nativos do estado. Depois de Piranhas, esse era o lugar que eu mais queria conhecer por ali, então, sempre que tinha a oportunidade, tentava puxar assunto sobre esse “paraíso escondido” com algum alagoano.

Para a minha surpresa, a reação da maioria deles era de total desconhecimento, apenas um ou outro conhecia ou já tinha ouvido falar. Em alguns casos, me deparava com expressões faciais que denunciavam o pensamento da pessoa, algo mais ou menos assim: “o que esse maluco tá falando? Será que ele não tá perdido não?!”

Brincadeiras a parte, estava eu em São Miguel dos Milagres agora, vendo com meus próprios olhos que não estava sonhando, nem delirando, a cidade e a praia existem e vale muito a pena conhecer!

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#22. Voltando para o litoral

Era sábado, depois de algumas poucas horas de viagem, desde a cidade de Penedo, estava de volta ao litoral do nosso país. Estava começando uma jornada de muitas descobertas pela parte litorânea do Alagoas. O calor era forte, pedi para o motorista da van me deixar no trevo da cidade de Marechal Deodoro.

Comecei a caminhar por uma avenida que me levaria até a orla da famosa praia do Francês. Depois de percorrer esse trecho entre o trevo e a praia, já estava quase que ensopado de tanto transpirar. Já tinha pesquisado e encontrado um único hostel por ali: o Hostel Ciganos.

Depois de ir para a direção errada do calçadão (a numeração das casas era confusa e não seguia uma ordem crescente ou decrescente), encontrei o albergue bem na ponta esquerda da orla da praia. Com aquele calor, eu só queria me instalar logo para tomar um banho de mar!

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#21. Meditando no Rio São Francisco

Lá pelas 5 da manhã já estava seguindo meu caminho estrada afora novamente, indo embora de Piranhas. A saudade já tomava conta de mim, mas o sono foi maior e, mesmo contra a minha vontade, me forçou a dormir.

Durante o trajeto até Arapiraca acordei diversas vezes, principalmente quando a van parava nos terminais para deixar e pegar mais passageiros. Eu não entendia nem um pouco como funcionava esse esquema do transporte entre as cidades do Alagoas, mas nem me preocupei muito com isso também, tinha em mente que sempre chegaria onde quisesse.

Já era quase 8 da manhã e eu acordei de vez, só pensava em como os últimos dias foram bons e queria muito que tudo continuasse assim, só que passando um pouco mais devagar. Observava a estrada com um pouco de ansiedade, até que finalmente cheguei na cidade, quando percebi já estava na rua de novo.

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#20. Paz e gentileza em Piranhas

Depois de acordar na tranquila Aracaju, naquele domingo pela noite já estava na tão desejada cidade de Piranhas, estava colocando meus pés em mais um estado brasileiro: Era a vez de conhecer Alagoas. O táxi me deixou ali na parte histórica da cidade, bem perto do Rio São Francisco.

Caminhei por poucos metros para encontrar o Albergue Maestro Egildo Vieira. Tinha recebido ótimas referências de lá, tanto de amigos mochileiros, quanto de outras avaliações que consultei na internet. Era ali que queria ficar, cheguei, mas estava fechado!

Tive que esperar um pouco e foi muito bom. Ali já deu para perceber o quão acolhedoras as pessoas são por lá: A vizinha praticamente me obrigou a sentar em uma cadeira enquanto ligava para o Nei, o responsável pelo albergue.

Em poucos minutos recebi o telefone, troquei algumas palavras com ele, que logo saiu da sua casa em um domingo a noite e se dirigiu para abrir o hostel para mim!

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#19. Nos arcos do Atalaia

Mais uma vez, estava eu na rodoviária de Salvador, a terceira passagem em duas semanas. Agora estava me despedindo da capital e do nosso querido estado baiano. Me lembro como se fosse hoje, a sensação era a mesma de estar indo embora de casa rumo a um destino incerto.

Sair da Bahia foi mais difícil do que imaginei que seria. Mas, bola pra frente, estrada que segue, temos que ser feliz em outros lugares também! Entrei em um ônibus rumo a mais um estado brasileiro desconhecido até então: Sergipe. A cidade escolhida foi outra capital brasileira: A tranquila e aconchegante Aracaju.

Não consigo me lembrar muito de como foi exatamente o caminho entre as duas cidades, só me recordo que estava chovendo muito. Com certeza essa foi uma das piores viagens que fiz na vida. Não pela estrada, pelo ônibus ou pelo destino…

Foi um conjunto de fatores: Tive um pesadelo bem pessoal na noite passada, junto com o sentimento triste de deixar a Bahia para trás e, para ajudar, não consegui comprar um assento na janela, viajar no corredor foi horrível, não conseguia ver nada da estrada! No meio do caminho somente desejei que aquela viagem acabasse logo!

Finalmente o longo caminho chegou ao fim, já eram 4 e meia da tarde de um sábado. Tinha chegado na rodoviária nova de Aracaju. Peguei minhas coisas, caminhei poucos metros e já estava no terminal de ônibus.

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#18. Cidade alta ou cidade baixa?

Ir para Salvador realmente me deixava muito confuso. Ao mesmo tempo em que queria estar ali, também não queria estar. Conhecer melhor a capital baiana e toda a sua parte cultural, que é algo bem diferente das capitais do sul e sudeste que já tinha conhecido ou morado, era algo que me deixava animado.

Porém, muitos me falavam sobre esse lugar com uma certa cautela, a violência e os problemas sociais é algo marcante na vida do soteropolitano. Logo, essa realidade, que nada mais é do que um reflexo de muitos lugares do Brasil, atrapalha e incomoda muito a vida deles.

Sem dúvida alguma, esse é um dos motivos que fazem Salvador transparecer ser uma cidade perigosa. Analisando friamente, agora, quando se trata de uma grande capital, infelizmente não tem como fugir dessas questões, pelo menos no dias atuais. Quem sabe em um futuro próximo…

Apesar de todo esse dilema, a minha vontade de conhecê-la era muito maior. Já tinha adiado muito a passagem por lá, estava na hora de enfrentar essa adversidade e simplesmente ir. Durante toda a minha viagem, sempre quando surgia algum impasse assim na minha cabeça, eu procurava respirar, projetar coisas boas e somente desejar ter uma boa experiência.

Foi isso que eu fiz antes de embarcar no ônibus, naquela noite na cidade de Palmeiras, para Salvador.

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#17. Caminhando em direção ao céu

Após me despedir dos franceses, que me acompanharam no trajeto de Boipeba até Salvador, parei por um minuto e vi que estava no meio de todo o caos de uma cidade grande. A última que tinha passado foi a nossa querida capital mineira Beagá, há quase 2 meses atrás.

Que choque! Eu, com duas mochilas, no meio da rotina e do movimento de uma cidade a todo vapor. Muitos motoristas me ofereciam corrida até a rodoviária a preço de “Uber”, mais ou menos uns 30 pila… sem chance. Cheguei em um ponto de ônibus ali no meio de uma avenida, estava super movimentado.

Perguntei para várias pessoas sobre qual ônibus me deixaria na rodoviária. Todos me diziam que muitos passavam, mas não sabiam qual deles exatamente era. Até que um deles parou e alguém me falou: “Esse vai”. Sem pensar muito, entrei e perguntei para a cobradora, já dentro do ônibus, para confirmar a informação, ela me disse que sim, mas que pararia na passarela que liga a rodoviária até um shopping nas proximidades.

Sinceramente não queria descer ali, tinha um pouco de receio daquele lugar depois de saber do caso de um amigo que tinha sofrido uma tentativa de assalto passando por lá em pleno movimento a luz do dia. Além disso, outras pessoas que conheci, me relataram o quanto aquela passarela era perigosa. Enfim, não tinha o que fazer, já estava indo para lá.

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#16. Refugando Morro de São Paulo

Reler o meu diário para escrever esse post me trouxe ótimas lembranças, estava com um sorriso no rosto o tempo todo, do início ao fim! Muito bom lembrar de dias que foram incríveis de uma forma tão natural!

Todos os lugares que eu fiquei por muito tempo, morando e vivendo, me trouxeram momentos que me marcaram. A grande peculiaridade de Boipeba, na Bahia, é que tive uma experiência muito semelhante, mas com o tempo bem mais curto: Menos de uma semana.

Vontade de ficar lá não faltou, infelizmente ou felizmente não deu muito certo. Apesar disso, escrevo agora para celebrar aquela semana inesquecível, dias que valeram muito a pena. Engraçado, justo Boipeba que eu também jamais sabia sequer da sua existência antes de partir. Santa ignorância!

Coloquei esse destino no meu radar porque recebi muitas recomendações de hóspedes que fiz amizade lá em Caraíva. O tempo por lá foi tão bom que nem deu tempo de atualizar o meu diário em nenhum dos dias. Fui só refletir e digerir o que aconteceu quando estava em Salvador, esperando o ônibus para Lençóis, a principal cidade da Chapada Diamantina.

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#15. De Taipu de Fora até Taipu de Dentro

Depois de uma semana intensa em Itacaré, com sol, chuva e praias novas, estava na hora de conhecer outro paraíso. Meu próximo destino foi Barra Grande (da Bahia), que fica bem ao norte de Maraú.

Na rodoviária de Itacaré, junto com a Bri, tomei um ônibus para Camamu, de lá pegaríamos um barco ou lancha rápida para Barra Grande. Como a estrada que liga Itacaré até Barra Grande é bem precária, essa é praticamente a única alternativa existente de transporte coletivo.

Não me recordo ao certo quanto tempo a viagem levou, só lembro que, ao sentar na poltrona, descansei, nem vi o tempo passar. Quando o ônibus fez a parada na cidade de Camamu, já entrou um cara dentro dele, perguntando quem ia para Barra Grande.

Ele nos ofereceu a lancha por R$ 20, a próxima iria sair em poucos minutos. Aceitamos e ele nos levou até o porto, onde embarcamos. Depois de uma hora e meia, com uma vista incrível, estávamos atravessando o deck em direção ao receptivo turístico de Barra Grande.

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