#11. 19 de abril

Caraíva é um lugar mágico, diferente de qualquer outro que já estive até então. Independente de ser considerado turístico ou não, aquele vilarejo é recheado de histórias de pessoas iguais a mim ou você, que está lendo esse post.

Alguns nasceram lá, outros apenas descobriram um lugar tranquilo para morar, outros foram fazer negócios, outros apenas turismo, mas quase todos que vão, desejam voltar algum dia.

Independente de quem quer que seja, uma coisa não dá pra negar: Caraíva encanta qualquer um que coloca os pés em suas “ruas” tomadas por areia! Uma das histórias mais interessantes que eu conheci é a de um francês que mora lá há mais de 20 anos.

Daft Punk

Será que Caraíva, uma ONG e a dupla Daft Punk tem algo em comum? Pode acreditar, tem sim!

No vilarejo mora um francês super carismático e com muito bom humor, se preocupa muito com a comunidade e tem uma cabeça super voltada para a preservação ambiental.

Pela força do hábito, e do tempo, ele fala um português bom, com apenas alguns leves deslizes na pronúncia, que denunciam que ele é gringo, além da sua aparência física com traços europeus.

Não sei com exatidão como é o início da sua história por ali, mas ele é casado com uma brasileira, a qual se apaixonou quando estava aqui no Brasil e há muito tempo os 2 moram juntos em Caraíva. Acho que eles estão na leva de moradores que se mudaram quando a energia elétrica ainda não tinha chegado .

Dentre os empreendimentos que ele tem por lá, 2 se destacam: o Bar do Porto, uma pizzaria tradicional com música ao vivo quase todos os dias, além do famoso forró nas sextas durante a baixa temporada, o outro é a ONG Caraíva Viva.

A Caraíva Viva tem um foco educacional, ela atende as crianças da comunidade. Então, oferece aulas de tudo quanto é coisa incentivando, principalmente, o desenvolvimento do lado artístico das crianças: hip hop, canto, violão, dança, dentre outras modalidades.

Nos dias que estive por lá, corria a história, que (eu acho que) nem todos sabiam, de que o francês também é um famoso produtor musical lá na França e é pai de um dos integrantes da famosa dupla Daft Punk.

Parece mentira, não? Pois bem, um dia estava eu no forró do Bar do Porto, quando avistei o francês acompanhado de um outro cara um pouco mais novo, com traços físicos semelhantes ao dele!

Os dois estavam muito tranquilos, conversando e apreciando o forró! Pensei comigo: Será que é um dos caras?! Fiquei com essa dúvida na cabeça e tentei gravar o rosto dele na minha memória.

No outro dia, quando acordei e liguei o computador, lembrei da noite passada e precisava tirar a prova. Digitei no google: daft punk sem mascará! Eis que aparecem imagens da dupla de cara limpa (para quem não sabe, a dupla sempre se apresentou vestida de máscaras e só revelaram sua identidade depois de muito tempo de carreira). E sim, era ele mesmo!

Por um tempo fiquei pensando em como é engraçado isso: Um cara super famoso, que já ganhou premiações internacionais, como por exemplo o Emmy Awards, e fez sucesso no mundo todo, aproveitando para ter uma vida anônima e tranquila em Caraíva, um vilarejo no sul da Bahia!

Uma aula de hip hop

Voltando para a ONG, lembro que um dia resolvi sair andar para refletir um pouco, estava bem pensativo, muitas coisas passavam pela minha cabeça, dentre elas a dúvida entre ficar ou ir embora de lá.

Resolvi passar na rua da Caraíva Viva, quando escutei uma voz conhecida lá de dentro, era o Diogo. Eu conheci ele um dia no Beco da Lua (só pra variar um pouco), quando estava com a Tatá e não lembro mais quem, curtindo uma música ao vivo em um sábado a noite.

Ele apareceu, fomos apresentados, logo depois veio a Giselli, sua namorada. O Diogo foi um dos irmãos que Caraíva me deu, trocamos muitas ideias de viagens e da cultura local sempre que nos esbarrávamos, ele foi um dos que me incentivou a ficar ali por mais tempo, para ver as comemorações do dia do índio.

Ele dava aula de muitas coisas na ONG, dentre elas de hip hop. Quando passei ele estava começando a iniciar uma aula para crianças que tinham entre 7 e uns 12 anos, eu acho. Entrei e pedi para assistir a aula!

Foi muito legal de se ver como é a sua didática e maneira de lidar com as crianças. Muitas delas estão naquela fase “terrível”, alguns na pré-adolescência, então já viu né?! Algumas não paravam quietas um minuto…

Ele conduziu bem a aula, no início estava com uma certa dificuldade de prender a atenção, mas com o tempo e com as suas propostas de atividades, elas foram ficando cada vez mais dentro da aula e concentradas!

Os olhos dele estavam brilhando, estava lindo de ver as crianças focadas na atividade que ele propôs, estavam em grupo, muito concentradas mesmo. Até que de repente uma outra criança grita lá da frente da ONG: “Bora tacá ovo na japaa!!”

Do nada, questão de segundos, todo o foco e a concentração sumiram e todas as crianças correram para fora da ONG para dar a famosa “ovada” na assistente social da Caraíva Viva, que estava fazendo aniversário.

Sobrou somente nós 2 ali, ele olhou pra mim e falou: não acredito… tava tudo dando certo hahaha

Vendo essa aula, percebi o quanto não é fácil ser professor, principalmente na questão de oferecer algo atrativo e que mantenha as crianças concentradas na proposta da aula. Por um momento lembrei de todos os bons professores que já tive e como eles eram guerreiros em manter a classe concentrada nas suas aulas.

Aula de hip hop na Caraíva Viva!

Desmistificando o Paraíso

Bom, pelo que eu já descrevi anteriormente, Caraíva ganha o status de paraíso facilmente.

Principalmente, quando falamos do ponto de vista turístico, possui uma belíssima praia, um rio limpo para tomar banho e o seu chão de areia dão um charme para toda a sua estrutura rústica.

Além de ser um lugar tranquilo para quem quer descansar e agitado para quem quer festa. Ou seja, difícil não ser feliz por lá.

É possível encontrar diversos tipos de hospedagem, que vão desde as mais luxuosas, até algumas mais baratas. O vilarejo também é cercado de vários restaurantes, com quase todo tipo de comida e se você quiser cozinhar, também tem alguns mercadinhos.

Há opções de lazer muito boas, que vão desde ficar tranquilo no rio até visitar as tribos indígenas que ficam ali por perto.

Em poucos segundos ou poucos dias, ela se torna o sonho de muita gente, que basta achar alguma oportunidade de trabalho, ou então alguma “desculpa” para ficar. Muitos não pensam 2 vezes e se mudam para lá… basta ter coragem de largar tudo.

É um lugar seguro: Eu brincava com os hóspedes da pousada, falava que ao caminhar a noite, o maior perigo que poderiam encontrar era tropeçar na areia e cair no chão. A polícia quase não chega ali, muito menos o estado…

Apesar disso, assim como todo lugar, há os seus problemas, alguns envolvem questões até um pouco mais críticas, que vão muito além das goteiras nas casas, que são descobertas apenas nos dias muitos chuvosos.

Morando 1 mês e meio por lá consegui observar de perto algumas dessas questões que insistem em perseguir Caraíva, o nordeste, o sudeste, o Brasil inteiro…

Tive a oportunidade também de conversar com moradores e nativos sobre os assuntos que permeiam essas questões. A conclusão (óbvia) que cheguei é que nenhum lugar é perfeito, todos tem os seus problemas.

Obviamente que não vou expor quais são esses problemas aqui, ao invés disso, convido você a experimentar um pouco de Caraíva e ver com os seus próprios olhos… E espero que chegue a mesma conclusão que eu:  Mesmo assim, é um ótimo lugar para se viver!

Toda a tranquilidade da praia de Caraíva…

As pessoas

Vamos lá, confesso que li e reli o meu diário algumas vezes para ver quantas pessoas cruzaram a minha vida nesse 1 mês e meio. Fora muitas, muitas mesmo, desde conhecidos, até amizades mais próximas, cada um passou do jeito que tinha que ser.

Com algumas delas eu mantenho contato até hoje, outras nem tanto. Mas não importa como elas passaram, ou quem são, se eram hóspedes da pousada ou outros turistas que conheci por lá, se eram moradores ou nativos. Cada um teve a sua importância para que esses dias fossem muito bem vividos.

Afinal, lugares sensacionais também são feitos por pessoas sensacionais. O que seria de mim sem a companhia de cada um deles? 

É claro que eu não vou fazer a besteira de listar um por um aqui, pois com certeza vou esquecer de alguém, mas quem passou pelo caminho sabe, e fica aqui o meu muito obrigado! Levei e ainda levo um pouco de todos comigo por aí!

Kaju e Nani

Duas gratas surpresas que eu tive em Caraíva, foram a Nani e a Kaju. Já falei um pouco sobre elas el algum outro post, mas elas merecem uma parte inteiramente dedicada a elas. Relembrando um pouco que já falei, elas são funcionárias da pousada Raiz Forte, onde trabalhei.

As duas são irmãs e moram na aldeia indígena Barra Velha, a aldeia mãe ali da região. Convivi bons dias com elas, ajudando sempre que possível nas atividades da pousada, principalmente lavando louça.

Foram dias agradáveis, com aquele aprendizado que só a convivência com pessoas com realidades e vivência diferentes da gente pode trazer, principalmente no que diz respeito à questões mais culturais do povo indígena.

Lembro até hoje do quanto elas eram bem fechadas quando eu cheguei, quase não olhavam nos meus olhos, mas com o tempo foram se soltando e foi questão de dias para começarem a ficar me zoando o tempo todo. É claro que eu fazia o mesmo.

Alguns dias eu acordava um pouco mais curioso e queria saber tudo sobre como era a vida delas na tribo, como viviam, o que faziam, se iam à praia… até que um dia a Nani resolveu me perguntar como era a vida na cidade, me surpreendi e tivemos um papo muito bacana.

Do mesmo jeito que eu queria saber como era viver na tribo, elas queriam saber como era viver cercado de prédios. Elas não acreditavam que viver na cidade não era tão legal assim como elas pensavam.

Achei muito legal essa troca, deu pra notar que a vida delas tinha um pouco da minha e a minha um pouco da delas!

Os dias, que já eram tranquilos, tornaram-se muito mais agradáveis ao passar esse tempo com elas, dávamos risada quase que o tempo todo, seja por qualquer coisa que acontecia. Elas foram super parceiras.

Lembro até hoje da Kaju tirando perfeitamente o bicho de pé de um dos meus dedos com a agulha, ele saiu inteiro, uma obra de arte… 6 meses depois eu peguei novamente o tal do bicho de pé em Jeri e fui tirar por minha conta própria…foi um fiasco!

Lembro também da cara de felicidade delas quando dei uma caixa de bombom como presente de páscoa, além do dia em que a Nani precisou levar o Lucas, o seu filho de 2 anos (eu acho), na pousada e ele não parava de brincar por ali, depois de algumas horas ele capotou na rede… dias depois a Nani me disse que ele me chamava na casa dela.

Selfie com a Nani e a Kaju

19 de abril

Um dos grandes motivos para eu ter ficado mais tempo do imaginava em Caraíva foi o dia 19 de abril, o dia do Índio, que estava se aproximando.

Afinal, quando eu teria novamente a oportunidade de passar esse dia perto de 2 tribos indígenas, vendo como eram as suas comemorações? Precisava aproveitar isso!

A expectativa para essa data começou algumas semanas antes. Combinei com o Diogo de ver o ensaio do Auê, uma das danças indígenas, lá na aldeia do Xandó, que é praticamente colada com Caraíva.

Chegamos logo ao entardecer e foi a minha primeira vez visitando aquela região com um pouco mais de calma. Ao caminhar pela aldeia, nota-se muitos traços do homem branco, tal como a presença de igrejas cristãs… algo inevitável.

Esperamos algumas horas em uma oca, que funciona como se fosse um salão de festas, e nada de ensaio. Por algum motivo, o ensaio naquele dia seria mais tarde ou foi cancelado, fomos embora. Resolvi esperar até o dia 19 de abril para ter um contato mais de perto com essa cultura.

O dia chegou! Eu combinei com o João, o bugueiro que era o contato que a gente indicava para os passeios de Corumbau, para me levar lá na aldeia Barra Velha, onde ele morava.

Cheguei lá, ele me deixou totalmente à vontade, falou que poderia caminhar por onde quisesse e logo fiz amizade com um senhorzinho que me levou conhecer a tribo inteira.

Conhecendo Barra Velha.

Me lembro como se fosse hoje que andar por aquela tribo foi um “choque”, minha cabeça estava a todo vapor, quebrando milhares de preconceitos e até jogando na minha cara o quão inocente eu era.

Por alguns instantes eu achei que iria chegar por lá e ver uma tribo vivendo nos moldes de quando o Brasil foi descoberto. Você já deve imaginar que eu não vi nada disso… realmente não sei o que se passava na minha cabeça para achar isso hahahahahaha

No lugar dessa ideia louca, vi uma comunidade cheia de casinhas humildes, mas confortáveis, cercada de comércio e pessoas levando uma vida normal, como se fosse em qualquer bairro deuma cidade… Falava internamente para mim mesmo: Matheus, a tecnologia já chegou nesse lugar também e faz tempo!

Depois de me chegar a conclusão de que estava delirando, resolvi voltar para a terra e apreciar o quão bom era o fato deles viverem como a gente e com facilidades que ajudam a ter uma vida digna.

Acompanhei a “procissão” de índios vestidos a caráter, passando por toda a aldeia, convidando todos para ir até uma Oca gigante lá na entrada da comunidade, onde aconteceria a cerimônia do dia do índio!

A cerimônia foi linda, lotada de gente…dentre elas moradores e turistas… grande parte dos índios estavam sentados em roda e o Auê aconteceu, incrível a dança e a harmonia que ela carrega consigo! Percebia facilmente que era um dia muito especial para eles.

Dentre os discursos das autoridades locais (pajés e caciques), lembro que uma fala me marcou. 

Alguém disse que o turista cobra muito a questão deles manterem a cultura e os costumes indígenas de antigamente, e que eles conseguirem fazer isso é muito bom, pois é o turista que transmite ao mundo que os bons costumes e a cultura indígena ainda continua preservada.

Mas que todos temos que entender que o índio também quer conforto, ter uma vida boa e morar bem e para isso alguns preferem morar em casa de tijolos, ou então ter um ar condicionado e sinal de internet wifi, por exemplo.

Se eu precisava de mais alguma coisa para desconstruir toda aquela minha ideia do que encontraria, antes de chegar lá, ali estava!

Dia do Índio na Barra Velha

Após comer alguns dos pratos típicos, que nem me lembro o nome, e apreciar boa parte do ritual, resolvi voltar para Caraíva caminhando. Comigo foram 2 outros turistas que também estavam ali e queriam voltar para o vilarejo.

Mais um pouco do dia do Índio na Barra Velha

 

Até tinha me esquecido o quão lindo era aquele trecho que ligava Caraíva até Corumbau, a praia deserta transmitiu uma imensa paz para o longo caminho a ser percorrido.

Cheguei em Caraíva e fui para a outra aldeia, a Xandó. Lá deu para ver um pouco mais das atrações do dia, também teve Auê, teve comida típica (lembro que tomei um tipo de um chá feito com mandioca, não gostei muito hehe), atividades recreativas promovendo uma competição saudável entre o índio e os turistas, além da simulação de como é um casamento indígena.

Que show de cultura que foi esse dia, meus amigos! Jamais vou esquecer! Com certeza valeu a pena esperar por ele!

É hora de partir…

Pois é meus amigos, a hora de ir embora estava próxima! Lembro que um dia acordei, fiz minhas atividades na pousada e o sentimento de que deveria partir estava muito presente em mim.

Depois de andar, andar, andar e um excelente banho de mar, tomei a decisão de que seguiria meu caminho em poucos dias.

Ficar por Caraíva estava ótimo, jamais imaginaria que viveria em um lugar como aquele, com toda certeza moraria por mais um tempo lá, mas o desejo de continuar conhecendo o Brasil era grande, o restante da Bahia me chamava.

Para não desistir da ideia, nem pensei muito e já mandei uma mensagem para o Pedro falando que partiria em poucos dias, logo após ele voltar de viagem.

Após isso, as coisas aconteceram da coisa mais natural possível, as noites foram muito bem aproveitadas, o dia do Índio chegou, acordei para ver o sol nascer, vi uma estrela cadente caminhando pela madrugada, além da lua cheia, que me recebeu nos primeiros dias, voltou para se despedir também.

Nascer do sol em Caraíva

 

Mas o que mais me marcou foi o Pipoca, o cachorro da pousada, que claramente percebeu que em breve iria embora. Na última semana, era só eu por o pé para fora da pousada que ele saia comigo sem exceção.

Eu sentava na beira da praia ou do rio, estava ele ali do meu lado, as vezes insistia em por a sua cara no meu colo.

A noite ele também me seguia a todo tempo, muitos me perguntavam se o cachorro era meu, pois ele me acompanhava até pra ir ao banheiro.

Sem dúvida, ele também foi um ótimo companheiro!

Mais uma foto do Pipoca pra vocês

Ainda estou em Caraíva

O dia de partir chegou, iria em uma segunda-feira para Arraial D’Ajuda, de ônibus. Mas no dia anterior, conheci a Clara e a Roberta, que estavam hospedadas na pousada. Elas são de Salvador, estavam viajando a trabalho e iriam para Porto Seguro na segunda-feira, me ofereceram carona! Eu topei!

A segunda-feira amanheceu bem chuvosa, me despedi do Pedro, Kaju e Nani e segui caminho com as meninas até o carro delas, tomamos bastante chuva até chegar ao carro.

Para minha surpresa, eu partiria de Caraíva de um jeito diferente. Elas pararam o carro perto da aldeia Xandó, em um ponto em que é permitido entrar carros. Então, não precisamos pegar o barco para atravessar o rio Caraíva.

Em meio aquela chuva, me despedia de dias incríveis, e que me fizeram crescer muito enquanto ser humano e um mochileiro de primeira viagem. Estava muito bem acompanhado, a Roberta e a Clara foram muito legais comigo e já me deram várias dicas do que fazer em Salvador, enquanto seguiríamos para Porto Seguro.

Todas as vezes que eu penso naquele dia, eu ainda considero que estou em Caraíva, pelo simples fato de não ter atravessado o “portal” para sair do vilarejo. Mas, uma coisa é certa: Caraíva continua viva e presente em mim!

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Matheus Boscariol

27 anos, mochileiro, dando um rolê pelo Brasil.

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