#5. Arroz com feijão

Desde que comecei a pensar nessa viagem e decidi que ia começar por Minas, passar por Ouro Preto e Mariana era muito mais que uma vontade, era uma obrigação.

O que falar de duas das cidades históricas mais famosas do Brasil? Para mim é tipo aquela dupla infalível, que não tem erro, sabe? Arroz com feijão, sonho de valsa e ouro branco, Romário e Bebeto, pizza com coca-cola, cerveja e amendoim, pão de queijo com café e por aí vai…

Pois bem, lembrando um pouco o último post da viagem, estávamos no momento em que o Marco me deixou lá em Itabirito, na rodoviária. Era de manhãzinha e o movimento dela estava bem tranquilo, não tinha quase ninguém.

Comprei a passagem para Ouro Preto e aguardei. Acho que esperei uns 40 minutos por lá e depois mais uns 30 minutos do trajeto dentro do ônibus até chegar em Ouro Preto.

Nesse tempo, liguei minhas playlists no Spotify e comecei a ouvir minhas músicas preferidas para me auxiliar no processo de digerir mentalmente tudo que rolou naqueles 15 dias de trabalho voluntário na Pousada da Lavra.

Finalmente cheguei na rodoviária de Ouro Preto, estava começando uma nova fase de turismo na viagem!

Descendo a ladeira

Uma das cenas mais marcantes de Ouro Preto para mim é a chegada no Centro Histórico. Me lembro de chegar na parte alta da cidade, que é onde fica a rodoviária, e caminhar seguindo as placas que indicam para a Praça Tiradentes.

Até aí, parece uma cidade normal como qualquer outra, até que uma leve descida chega e a sua inclinação vai aumentando a cada passo, se tornando uma ladeira bem grande. Do nada, você já dá de cara com uma igreja do lado de um mirante, em que se pode ter uma bela vista da cidade: toda a sua arquitetura, combinada com as igrejas e o horizonte.

Não sei traduzir muito bem sensação de ficar parado olhando aquilo, mas ela é incrível! Por sorte eu tive duas oportunidades de passar por ali, a primeira foi com o Ariel e a Amanda quando fomos conhecer o carnaval e agora sozinho, com mais tranquilidade para conhecer a cidade de fato.

Vista da chegada em Ouro Preto 😉

Vila Rica

Cheguei novamente na praça Tiradentes e dessa vez ela estava bem vazia, como era a semana pós-carnaval, notava somente alguns poucos turistas na rua.

Estava a procura do Uai Hostel, tinha pesquisado e vi algumas recomendações no fórum dos Mochileiros sobre ele, a diária estava com um bom custo-benefício, por volta de uns R$30.

Da praça, desci mais umas duas ruas bem inclinadas até encontrar o hostel. Fui recepcionado pelo Felipe, um cara bem gente boa que já me deu várias dicas do que fazer pela cidade. Como era bem cedo, resolvi já sair e bater perna para conhecer tudo que tinha direito.

Peguei um mapa do centro histórico e comecei a caminhar sem muita direção, apenas subindo e descendo cada rua, somente observando o que tinha em cada uma. Com o tempo já fui me habituando com as ruas de Ouro Preto.

Deu umas 11 e meia, resolvi parar para comer pois já estava com fome. Fui em um self-service de comida mineira à vontade. Comi muita coisa, desde feijoada até angu!

Agora de barriga cheia comecei a turistar de verdade, minha primeira parada foi o museu da Inconfidência, que fica ali na praça Tiradentes mesmo.

Praça Tiradentes vista do Museu da Inconfidência

O museu é bem grande e devo ter pago R$10 ou R$20 para poder visitá-lo, não me recordo o valor ao certo. Infelizmente não se pode tirar foto lá dentro. Apesar disso, fiquei super satisfeito com o museu, tem um acervo histórico muito rico e me fez voltar a lembrar um pouco das aulas de história do colégio.

Lá descobri que antes de se chamar Ouro Preto, lá nos tempos da colonização, a cidade se chamava Vila Rica, o que remete a toda a riqueza que foi encontrada e explorada por lá.

Essa visita me despertou também a vontade de ler um livro que tinha comprado há um tempo, mas não tinha começado ainda: As Veias Abertas da América Latina, do genial Eduardo Galeano. Comecei a ler logo naquele dia!

Museu da Inconfidência

 

Igreja… Igreja… Igreja…

O resto da tarde passei conhecendo quase todas as igrejas que estavam no mapa e também passei em alguns outros museus. Sem querer, fiz praticamente Ouro Preto toda em um dia!

Como eu já tinha ido no museu da Inconfidência, resolvi não visitar os outros, pois a maioria deles também cobravam uma taxa de visitação com um valor bem próximo do que eu tinha pago por lá, entre R$10 e R$20.

Aliás, as igrejas que estavam abertas também cobravam uma taxa de visitação, que eu achei bem alta, em algumas o valor chega a ser R$10 e não se pode tirar foto do seu interior.

Uma das igrejas mais bonitas de Ouro Preto

Então, eu resolvi escolher apenas uma igreja para visitar: a Nossa Senhora do Pilar, que é uma das mais bonitas em seu interior, com uma boa parte de decoração feita a ouro. Por sorte, dei uma passada no hostel para descansar um pouco e esperar o sol baixar, lá o Felipe me deu a ideia de conhecer a igreja na hora da missa, pois não se paga taxa e pode tirar foto.

Fiz isso. Aproveitei também para assistir a missa e observar como era a cerimônia em uma igreja como aquela… nada de diferente das que eu já tinha participado.

Igreja Nossa Senhora do Pilar
Interior da Igreja Nossa Senhora do Pilar

Visitei também alguns ateliês e feirinhas, dentre elas a de Pedra Sabão, que possui esculturas feitas em pedra sabão e um artesanato bem bacana, mas só observei e não comprei nada.

Feira de Artesanato Pedra Sabão

 

Mariana

No segundo dia, acordei bem cedo, tomei café da manhã e já fui em direção a estação de trem, na parte mais baixa da cidade, lá peguei o trem da Vale em direção a cidade de Mariana. A passagem do trem é R$50 só ida e R$70 ida e volta. Optei pela ida e volta.

O trajeto do trem leva mais ou menos uma hora e é muito bonito, forrado de mata atlântica, cachoeira, algumas igrejinhas e na ida tinha até um “narrador” contando um pouco de história de Ouro Preto, Mariana e afins! Para mim que gosta de sentar na janela e observar a paisagem foi uma boa escolha!

Vista do trem

Cheguei em Mariana, peguei um mapa da cidade e fui fazer de novo o que mais gostava: andar, andar, andar e descobrir o que tinha por lá. Fiquei a manhã toda e um pedaço da tarde só conhecendo as igrejas e os museus.

Em Mariana deu para entrar em quase tudo pois a taxa de visitação é bem mais barata que as dos lugares em Ouro Preto, tinha igreja que cobrava só R$2 e algumas você que decidia qual seria a contribuição.

Nesse dia meu almoço seguiu o que eu chamo da “dieta do mochileiro” – que consiste em tomar um café da manhã reforçado, comer algumas besteiras no almoço e depois jantar – comi algumas barrinhas de cereais e tomei um sorvete na rua.

Duas das principais igrejas de Mariana
Andando pelas ruas de Mariana

Lá pelas 14 horas voltei para a estação de trem, aproveitei para tirar foto na maria fumaça que tem lá exposta e esperei um tempinho pela volta até Ouro Preto.

O caminho de volta foi lindo igual ao primeiro, só não teve toda aquela narrativa do locutor da ida!

Eu na maria fumaça!
Maria fumaça

Sobe a ladeira

De volta para estação de trem de Ouro Preto, subi todas as ladeiras possíveis e inimagináveis até a rodoviária. Fui lá para consultar os horários de ônibus para São João Del Rei, meu próximo destino.

Para minha surpresa, não existia mais a linha Ouro Preto – São João. Então, uma das possibilidades era fazer duas baldeações, uma em Ouro Branco e outra em Congonhas, mas ninguém sabia ao certo os horários e pelo que pesquisei na internet eles meio que não encaixavam para conseguir fazer a viagem em um dia só.

Voltei ao hostel, tentei encontrar os grupos de carona desse trecho pelo facebook, mas não achei.

Até que um dos funcionários do hostel me falou que para não ter dor de cabeça o melhor seria voltar para BH e de lá tinha mais opções de horário de linhas que partiriam para o meu próximo destino. Resolvi optar por isso.

Era fim de tarde, voltei para a rua para passar por algumas igrejas que ainda não tinha visto e também as que mais tinha gostado no meu tour do dia anterior, para ficar por mais tempo e aproveitar melhor o tempo nelas.

No mais eu parei em uma lanchonete/bar para jantar, fiquei tomando umas cervejas na praça e voltei ao hostel para dormir. Além disso, tive uma boa notícia, solicitei uma hospedagem via CouchSurfing em São João Del Rei e ela foi aceita.

Para quem não conhece o Couchsurfing, dá uma olhada nesse link!

 

Andando pelas ruas de Ouro Preto

 

Checkout

Meu último dia em Ouro Preto era uma segunda-feira, no dia anterior descobri que quase nada estaria aberto, é meio que o dia de folga da cidade, que esta a todo vapor no fim de semana.

Então, acordei cedo para pegar o primeiro ônibus para BH. Arrumei minhas coisas, sai do quarto e não havia ninguém na recepção do hostel e nem café da manhã, esperei até umas 8 e meia e nada… resolvi partir para não perder o ônibus!

Eu ainda precisava pagar as estadias…Peguei uma folha do meu diário, enrolei o dinheiro e deixei escrito que era o valor do meu checkout, junto com um breve agradecimento pela hospedagem.

Subi todas as ruas até a rodoviária em jejum e com o mochilão nas costas, um belo teste de resistência!

Lá perto da rodoviária tomei um suco e parti comprar minha passagem, logo quando cheguei na rodoviária um cara me ofereceu carona pelo mesmo valor do ônibus, não gostei muito da abordagem dele e recusei, comprei minha passagem e em 40 minutos já estaria em BH.

A minha passagem por Ouro Preto e Mariana foi mais rápida do que eu imaginava, foram dias tranquilos, regados de história, admiração e com uma energia muito boa!

Dentre as coisas que podem ser feitas por lá, só faltou conhecer uma mina de verdade, mas naquele momento eu não tinha interesse nenhum nesse tipo de “passeio.”

Agora que você já entendeu como foi a minha estadia em Ouro Preto e Mariana, dá uma olhada no post que escrevi sobre a minha motivação para viajar um tempo pelo Brasil!

Matheus Boscariol

27 anos, mochileiro, dando um rolê pelo Brasil.

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