#24. Com a minha melhor companhia

Depois de curtir a festa da cidade de São Miguel dos Milagres, no outro dia pela manhã já estava de pé para continuar a jornada pelo litoral Alagoano. Meu próximo destino estava na cidade que fica entre São Miguel e Maragogi: Japaratinga.

Nem deu tempo de tomar café da manhã que logo chegou a van com destino a Porto de Pedras, uma das cidades vizinhas, onde eu poderia pegar uma balsa que fazia o transporte de carros e pedestres até a margem que fica perto de Japaratinga.

Cheguei e a balsa ainda não estava no seu horário de saída. Um tiozinho me ofereceu a ida no seu barquinho por R$2, aceitei. Mas, antes de partir, uma série de “imprevistos” aconteceram: chegou um fiscal e deu a maior bronca nele, por causa da ausência de coletes salva-vidas no barco.

O senhorzinho foi buscar os coletes, que estavam lavando, na sua volta o fiscal pediu a documentação do barco, ele só tinha uma cópia não autenticada, ou seja, levou outra bronca. E lá foi ele novamente buscar outra coisa, me deixando sozinho no barco por alguns minutos.

Só sei que demorou tanto que deu tempo da balsa chegar e eu mudar de transporte para atravessar. Até queria ajudar o tiozinho, mas desse jeito não foi possível.

Mais um mototáxi

Depois de atravessar o rio, cheguei do outro lado e peguei mais um mototáxi (já tinha perdido as contas do quanto tinha usufruído desse meio de transporte nessa viagem). A corrida até Japaratinga ficou 5 pila. Ele me deixou em um lugar que é como se fosse um bairro antes da cidade em si.

Tinha pesquisado antes e vi que lá tinha um hostel que se chamava Casinha. A sua localização no Google Maps não era das mais precisas, o endereço não batia com a rua em que realmente fica. Depois de alguns minutos pedindo algumas informações para moradores, o mototaxista achou o local.

Quem toma conta do hostel é o Frederico, um argentino que vive no Brasil há um tempo. Ele arrendou uma casa junto com a sua namorada e abriu o hostel. Muito gente boa ele, viu que eu estava com fome e me ofereceu um café da manhã na faixa!

Mais uma vez eu era o único hóspede do hostel, o destino insistia em forçar uma convivência mais intensa comigo mesmo. Deixei minhas coisas no quarto e já fui caminhar e conhecer a praia.

Meu primeiro contato com a praia em Japaratinga!

Andar, andar e andar

Aproveitei o restante do dia, que na verdade estava só caminhando, para caminhar bastante, conheci as praias ali da região até me instalar em um pedaço de areia na praia principal de Japaratinga. Tomei uma água de coco e fiquei observando o mar.

A cor da água não deixa nada a desejar para a sua vizinha São Miguel dos Milagres, é tão cristalina quanto. A grande diferença é que ela não é tão deserta, tem uma estrutura um pouco melhor para receber turistas, mas mesmo assim estava muito tranquila, com poucas pessoas frequentando-a.

De tempos em tempos começava a chover. Então, corria eu pegar as minhas coisas, me abrigar em algum lugar, esperava a chuva passar, o sol sair de novo, e voltava para a praia. Nesse dia devo ter feito isso uma 3 vezes!

Ficava um tempão pensando na vida, ouvindo música, tentando meditar embaixo do sol. Quando ficava muito quente, tomava um banho de mar para refrescar e me encantava ainda mais com aquele mar azul.

Mar com um belo tom de azul!

No outro dia eu fiz o caminho contrário e fui conhecer as praias do lado oposto, em direção a São Miguel dos Milagres e Porto de Pedras. Depois voltei para Japaratinga para curtir mais um pouco daquele pedaço de areia e mar que mais me agradou no dia anterior.

No caminho uma cena triste: tartarugas mortas sendo comidas por urubus. Tudo indicava que tinham caído e ficado presas em redes de pesca. Toda vez que passava por algo assim, procurava andar rápido porque não me agradava nem um pouco ficar observando um cenário como esse. Me dava aflição.

Nesses 2 dias, depois das horas de caminhada e relaxamento, eu voltava para o hostel quando começava a anoitecer, quando a fome batia. Então, passava no mercado, comprava um macarrão, algumas cervejas e lá estava o meu jantar! Depois ficava conversando com o Frederico até o fim da noite, o cansaço chegava de forma intensa e eu acabava dormindo cedo.

Meu canto favorito da praia…

Com a minha melhor companhia

Os dias que passei em Japaratinga me fizeram refletir muito. Já fazia um certo tempo que não tinha companhia na maior parte dos dias. Posso dizer que, apesar de sempre querer conhecer gente nova, estes foram dias bons, aproveitava para meditar e refletir quase que o tempo todo.

Uma das coisas que tirei como um grande aprendizado foi saber conviver comigo mesmo, aproveitar a minha própria companhia, que na real era a melhor companhia que eu poderia ter. Aprendi a me suportar, me aceitar, me perdoar em relação a várias coisas que fiz ou deixei de fazer.

Foi um bom momento para fazer as pazes com o meu eu interior e olhar para mim com mais abundância e menos escassez. Até escrevi um post meses mais tarde sobre os aprendizados de viajar sozinho, grande parte do que escrevi foram inspirados nesses dias em Japaratinga.

Foi um passo importante para o meu processo de autoconhecimento, algo crucial para seguir viajando e aproveitar todo o caminho da melhor maneira possível. Aqueles dias me ajudaram a me preparar para um futuro próximo, quando chegou o momento em que tive plena consciência que estava desfrutando muito bem da minha vida.

Reflexo do céu na água!

Ir ou não ir para Maragogi?

Esses 2 dias em Japaratinga passaram muito rápido. Quando percebi, já tinha que decidir pelos próximos destinos. Eu queria ir para a praia de Carneiros, em Pernambuco. No caso, a ideia seria pular a famosa Maragogi e ir direto para lá.

Como eu tinha a ideia de que Maragogi era um lugar muito visado pelo turismo, não me atraia muito. Porém, descobri que teria que passar pela cidade de qualquer jeito. Então, por que não dar uma chance para o lugar me surpreender?

Uma coisa que aprendi nessa estrada da vida foi a ser flexível e dar a chance para mudar alguns preconceitos relacionados a pessoas e lugares! Foi isso que aconteceu! Conto mais no próximo post 😉

No outro dia cedo peguei outro mototáxi e pedi para me deixar no ponto onde passava o ônibus para Maragogi. No início da tarde já estava por lá, caminhando em direção ao próximo hostel!

Aproveite agora e dá uma olhada no post que escrevi sobre como conseguir hospedagem em troca de trabalho.

Matheus Boscariol

27 anos, mochileiro, dando um rolê pelo Brasil.

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