#26. Esqueci da Igreja

Depois de pegar 2 transportes saindo de Maragogi, coloquei os pés em mais um estado desconhecido por mim até aquele dia: Pernambuco, outra referência rica de cultura brasileira, estado onde está a terra do frevo e do maracatu, além de ter um dos carnavais mais famosos do país.

A cidade escolhida para iniciar essas descobertas foi a pacata e tranquila Tamandaré, que fica praticamente encostada na praia de Carneiros. Inclusive, é a opção mais barata ali da região, já que a maioria das acomodações em Carneiros possuem um custo alto pela localização, com o propósito de atender um público diferente dos mochileiros.

Caminhei até encontrar o único hostel da cidade, o Hostel 81, que está muito bem localizado, fica na orla da praia de Tamandaré.

Andando de moto sem capacete

Cheguei na recepção e falei com o André, irmão do Diogo, que é o proprietário do hostel. Após acertar a estadia, pedi orientações para chegar até a praia de Carneiros. Segundo ele, a melhor forma, naquele momento, era optar pelo bom e velho mototáxi.

O André foi super gente boa e tentou me ajudar a procurar por um que estivesse de bobeira ou passando por ali na rua. Não encontramos nenhum. Então, ele se dispôs a me levar na sua moto, uma Bis.

Em 5 minutos estávamos pegando um trecho da estrada rumo à praia. No meio do caminho, percebi que estava sem capacete. Não tinha muito o que fazer, era só tomar cuidado e rezar para não acontecer nada que colocasse as nossas vidas em risco.

Dramas a parte, era domingo, a estrada estava bem tranquila, sem movimento algum, chegamos na praia sem maiores problemas. Como o André foi super parceiro, fiz questão de dar uma grana para abastecer a moto!

Chegando na praia de Carneiros

Caminhando por Carneiros

Lembro que estava perto de um condomínio de casas, desci uma escada até a areia e comecei uma longa caminhada pela praia. Nesse processo de andar e andar, minha atenção estava no quanto aquela praia era diferente.

Não sei explicar muito bem isso, mas ela parecia misturar muitas coisas boas de todas as outras praias que eu tinha passado nos últimos dias. Não sei se era porque a minha memória estava fresca ou sobrecarregada com tantas informações sobre o mar e a areia.

Me encantei principalmente com a cor da água, às vezes parecia ser azul, de repente parecia puxar para uma tonalidade mais verde. Cheguei em um ponto em que se formam algumas piscinas naturais, era incrível ver aquilo!

Descobrindo a praia.

Junto com toda essa beleza, percebi que estava me aproximando de uma certa muvuca, muita gente querendo desfrutar da praia também. Procurei um lugar um pouco mais tranquilo, estendi a minha canga e fiquei lá por horas…

Estava em paz, eu e o meu processo de relaxamento, sempre que queria tomar um banho de mar, tentava me conectar a natureza antes. O movimento da água estava tranquilo, realmente parecia uma piscina, era difícil criar coragem para sair dali.

Piscina natural!

Esqueci da Igreja

Fiquei tão relaxado naquela tarde que simplesmente esqueci de visitar a famosa igreja de Carneiros, uma igrejinha na beira da praia. Só fui lembrar quando estava na metade do caminho da volta, quando a maré estava bem cheia, já não dava mais para voltar atrás. Paciência, fica para uma próxima visita.

Nessa caminhada entre as praias de Carneiros e Tamandaré notei muitas casas de veraneio, era uma mais bonita que a outra. Por um momento até me questionei se aquelas casas não estavam invadindo aquele pedaço de natureza tão bonito.

Depois refleti e achei que não era o momento ideal para pensar muito nisso e resolvi focar só no quanto aquela caminhada me mostrava o quanto o lugar era bonito. No meio do caminho caiu uma baita chuva, uma tempestade.

Tive que correr para me abrigar, achei um barzinho e fiquei lá por um tempo, uns 20 minutos, até esperar a chuva passar de fato. Continuei caminhando e finalmente cheguei, já morrendo de fome, no hostel!

Um pouco mais da praia de Carneiros…

Refeição voluntária

Tomei um banho merecido e depois saí em busca de comida, a ideia era comprar mantimentos no mercado e cozinhar. Mas, naquele horário, todos já estavam fechados. Voltei ao hostel e, quando já estava me conformando que teria que gastar mais do que o necessário, comendo em algum quiosque, o Diogo me falou que um dos seus voluntários vendia refeições e poderia me servir um PF por um preço justo. Topei na hora.

O paraibano Calebe, gente boníssima fez um baita prato de comida para ninguém botar defeito: arroz, feijão, salada, bife de cupim no molho de mostarda, tudo isso por R$15. Estava sensacional de bom, ficamos trocando ideia pela noite, aproveitei para tomar uma cerveja.

A noite caiu, a caminhada de volta da praia pesou e me corpo começou a dar sinais de cansaço. Cai no sono e dormi muito bem!

Uma rápida carona para Recife

No outro dia pela manhã, enquanto tomava café tive uma rápida conversa com o Diogo sobre hostel, couchsurfing, viagens, mochilão e temas relacionados. Depois disso, fui para a praia de Tamandaré, aproveitei para desfrutar dos últimos minutos do litoral sul pernambucano.

Depois das 12h,  tomei um banho, arrumei as minhas coisas, me despedi e fui em direção a um posto em que o ônibus para Recife passava.  Se eu fosse seguir a risca o mapa, meu próximo destino seria Porto de Galinhas, mas não encontrei motivos que me animasse em passar por lá, talvez por ignorância, ou talvez pelo momento da viagem mesmo.

Chegando no posto, um cara me ofereceu carona pelo mesmo preço do ônibus, ele tinha conseguido mais passageiros, só faltava 1 para fechar o carro, no caso era eu. Aceitei. Depois de algumas poucas conversas pelo caminho com os outros passageiros, chegamos em Recife.

Desci no centro, mas não ficaria pela cidade, meu destino era Olinda! Assim como todos os destinos que me agradavam, de alguma forma a cidade me chamava! Fui muito feliz lá pelos próximos 7 dias.

Mais detalhes sobre a minha estadia em Olinda no próximo post! Enquanto isso, aproveite para entender o porquê de fazer essa viagem pelo Brasil!

Matheus Boscariol

27 anos, mochileiro, dando um rolê pelo Brasil.

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