#10. O forró daqui é melhor do que o seu…

Caraíva é um lugar muito especial. Para mim, é um dos “paraísos escondidos” que existem no Brasil.

Hoje, ela é tomada por uma boa infraestrutura para receber turistas, tem desde carroças com burros para transportar pessoas e cargas (lá não pode entrar carro), até pousadas e restaurantes para todos os tipos de gostos e bolsos.

Mas nem sempre foi assim. Conversando com o Pedro, ele me disse que frequenta Caraíva desde a sua infância, há pouco mais de 20 anos, naquela época a pousada era nada mais do que um pedaço de terra que a mãe dele comprou para ter uma vida tranquila.

Quando ela se mudou, não tinha nem energia elétrica. Aos poucos o cômodo que ela construiu virou uma casa, que depois virou uma pousada.

Até que chegou o momento em que Caraíva ficou muito grande e bem menos tranquila. Então, ela resolveu se mudar para outro lugar, deixando a pousada na mão de um gerente qualquer.

O Pedro estava tomando conta da pousada há pouco mais de 1 ano. Depois de deixar o seu trabalho em São Paulo, coincidiu da pousada estar precisando de um novo gerente, ele resolveu dar uma força para a mãe somente para colocar a casa em ordem.

As coisas deram tão certo, que ele resolveu ficar por lá e assumir definitivamente a administração da Pousada Raiz Forte.

Aliás, Caraíva é cheio de histórias de pessoas que vão visitar a vila como turistas e não voltam mais, ou quando voltam é só para arrumar as malas e se mudar definitivamente para aquele paraíso.

Eu mesmo pretendia ficar somente umas 3 semanas por lá… acabei ficando 6!

O táxi de Caraíva!

Caraíva com ou sem rotina?

A rotina de trabalho na pousada era bem tranquila, dependia muito do movimento do dia. No geral, eu acordava por volta das 8 da manhã e tomava café.

Quando o número de hóspedes era grande, eu ficava na cozinha lavando as louças, enquanto as meninas, Nani e Kaju, serviam o café e começavam a fazer a limpeza dos quartos.

Depois disso, dia sim, dia não eu dava um “tapa” no jardim, que era lindo! Tinham muitas árvores e plantas, mas isso demandava um certo cuidado, muitas folhas caiam todos os dias e era preciso recolhê-las!

Por fim, antes do almoço eu verificava como estava o lixo orgânico, se estivesse cheio, era hora de dar um destino para ele: Levava o lixo para fora, abria um buraco no chão e enterrava os resíduos.

Buraco com o lixo orgânico e as folhas que caíram do jardim.

O Pedro ajudava nesses trabalhos e também com outras demandas que surgiam, ele já trabalhou com muita coisa diferente, foi desde barman até gestor educacional de uma ONG.

Dá para perceber que isso deu muita bagagem de vida para que ele conseguisse fazer a maioria da manutenção da pousada por conta própria, o que proporcionava uma certa economia e também agilidade nos reparos que precisavam ser feitos!

No começo eu até me sentia um pouco mal por ele estar ajudando, pois estava ali para “pagar” a estadia na pousada, não é mesmo? Com o tempo ele foi desapegando dos serviços, que ficaram quase que 100% comigo, principalmente no período em que ele ficou um tempo fora, viajando.

Obviamente que em alguns dias o trabalho foi mais pesado, como por exemplo, quando limpamos a caixa de gordura da pousada.

Foi a tarde toda trabalhando naquilo: Remover a tampa da caixa, que era enorme, retirar toda a água, tirar toda a areia suja e depois repor com areia limpa.

No mais, eu aproveitava o resto da manhã para trabalhar como freelancer pela internet e levantar uma grana.

Depois do almoço, meu destino era a praia ou o rio. Dependia muito do meu humor, se eu queria ficar sozinho, ia para a praia, se queria ver gente, minha escolha era o rio.

Sempre com uma lata de cerveja na mão, que comprava no mercadinho que era caminho para a praia… era difícil chegar lá sem tomar pelo menos uma gelada!

Algumas vezes eu tinha a companhia do Pipoca, o cachorro da pousada, um vira-lata figura demais, ele era muito fofinho e aprontava um monte.

Tinha dias que ele me acompanhava 100% do tempo, outros ele encontrava os seus amigos caninos no caminho e me deixava para trás. Ele fazia isso com muitos dos hóspedes também, era querido por todos!

Eu e o pipoca no fundo… na praia!

A tarde eu voltava para a pousada, tomava um banho, as vezes precisava dar alguma assistência para o Pedro e para a Tata, ficando por lá a tarde e no comecinho da noite.

Depois do jantar, eu saia para a rua para dar uma volta, dependendo do dia a agitação estava boa, mas a maioria deles a rua estava vazia: Aquela paz e tranquilidade coberta por um céu muito estrelado, que também ganhava a companhia da lua.

No mais, posso dizer que a Pousada Raiz Forte é um ótimo lugar para se hospedar, tanto em relação ao conforto, quanto em custo-benefício, quem quiser o contato do Pedro e da pousada, me manda uma mensagem inbox no Facebook que eu passo 😉

Os passeios

Eu tive a oportunidade de fazer todos os passeios logo nos primeiros dias que estava no vilarejo. Vou falar um pouco melhor sobre cada um deles:

Descendo (ou subindo) o rio Caraíva de boia

É possível percorrer o rio Caraíva de boia, sem precisar nadar, somente sendo levado pela sua correnteza! Esse passeio está longe de ser o mais popular, mas para mim foi o mais incrível de todos!

Dependendo de como estava a maré, a correnteza do rio seguia para um sentido diferente, ou seja, em determinado horário a água seguia para dentro do rio e em outros para fora, desembocando no mar.

Então, esse trajeto pode ser feito saindo da Barra (ponto em que há o encontro do rio com o mar) indo até outro ponto, que se chama prainha. O percurso saindo da prainha para a Barra também é possível de ser feito.

Tem algumas pessoas que organizam esse passeio, oferecendo as boias e o serviço de guia, mas como a demanda era baixa, não sei o valor que é cobrado.

Como eu estava com o Pedro, fizemos independentemente, foi eu, ele e a Milena! O Pedro tinha duas boias normais, as quais foram usadas por ele e por mim, pegamos emprestado uma boia maior, que foi usada pela Mi.

Saímos lá da Barra e entramos rio adentro…que delícia percorrer o Caraíva em total silêncio, sendo interrompido apenas por alguns barcos que passavam. A paisagem é indescritível, toda aquela mistura da água do rio com o entardecer e a vegetação de mangue que o cerca é uma das coisas mais lindas que já vi.

Foi um dos momentos em que mais senti paz lá em Caraíva. Não tenho fotos do passeio porque não tinha como levar o celular, ele não é a prova d’água, mas aquelas imagens estão muito bem guardadas na minha memória…

Indo para Corumbau de bugue

Um dos passeios mais comuns é o que leva para a praia de Corumbau, que fica no município de Prado, a distância é de 12 quilômetros indo pela praia de Caraíva, se não me engano.

Geralmente quem faz esse passeio são os bugueiros, que são os índios da aldeia Barra Velha. A aldeia fica no meio do caminho indo para Corumbau.

Alguns deles até chegavam no café da manhã e pediam para conversar com os hóspedes para oferecer o passeio, além disso a pousada também tinha alguns nomes que eram de confiança, os quais indicávamos sempre quando os hóspedes pediam.

Geralmente o valor é de R$180 a R$200, na baixa temporada. O bugue suporta até 4 pessoas, ficando uns 50 conto para cada um.

Em um dia qualquer saímos em 2 carros, fomos eu, Pedro, Tatá, Milena e mais 3 hóspedes: um casal e o Henrique.

Fomos com o João e o seu irmão. Em um carro foram os hóspedes e em outro fomos eu, Mi e Tatá. O Pedro resolveu ir correndo pela praia, ia aproveitar a maré baixa para treinar para uma corrida que ia ocorrer em uma data próxima. O Pipoca também foi conosco!

Estava eu na parte de trás do carro, tomando um vento na cara até que o bugue parou no meio do caminho, o pneu tinha furado.

Enquanto o irmão do João correu buscar ajuda, aproveitamos para banhar ali na praia mesmo. Esperamos uns 30 minutos até que o João chegou e terminou de fazer o trajeto, nos levando para Corumbau! Ele nos deixou em um local em que era preciso atravessar de canoa.

Acho que era um rio também e era preciso pagar R$10, que vale para a ida e volta, mas dependendo do seu ânimo dá para atravessar nadando tranquilamente…

Atravessamos e já estávamos em nosso destino. A nossa primeira parada foi lá na ponta de Corumbau, caminhamos até o fim da praia, fiquei só admirando aquela água transparente, é uma das mais lindas que já vi e pelas fotos confunde-se facilmente com o Caribe, na minha opinião.

Ficamos um bom tempo por lá, o Pipoca se divertiu demais, corria atrás dos pássaros a toda hora!

Ponta de Corumbau.

Nossa segunda parada foi em um dos restaurantes que ficam em outro ponto na beira da praia, o Canal do Pampo, que é o restaurante da Goinha, ela faz um arroz de polvo sensacional!

Segundo o Pedro, muitos chefes de cozinha aparecem só para comer o arroz e ver como ela faz aquela maravilha. Ele sempre indicava esse restaurante para os hóspedes. Realmente o prato é uma delícia!

Passamos o dia indo hora ou outra para a água, descansando na barraca, tomando cerveja e, claro, comendo o arroz de polvo. Quando deu umas 3 da tarde, eu, Pedro, Mi e Tata resolvemos voltar para Caraíva, estava quase na hora da Kaju e a Nani irem embora da pousada.

O famoso arroz de polvo da Goinha!

Voltamos com o irmão do João novamente, e dessa vez eu estava no banco do motorista. O caminho foi feito por uma estrada de terra, acima da praia, pois a maré já estava alta e não dava para ir pela praia.

Passamos do lado da aldeia Barra Velha e também em um ponto que é possível ver o Monte Pascoal, que reza a lenda que foi o primeiro pedaço de terra visto por Pedro Alvares Cabral, no episódio do descobrimento do Brasil.

Estava tudo tranquilo, até que do nada o irmão do João vira para mim e fala: Poxa, que merda! Eu: o que foi? Ele: o pneu furou de novo!

Não acreditei, como pode?! O pneu furar 2 vezes no mesmo dia, com o mesmo cara, levando os mesmos passageiros! Muito azar!

Nesse meio tempo estava passando outro bugue que nos deu carona até Caraíva!

Eu, Mi e Pedro na parte de cima do bugue.

Caminhando até a Praia do Espelho

Depois de uns 2 dias do passeio de Corumbau, resolvemos ir para a Praia do Espelho, que fica muito perto de Caraíva também. Dessa vez foi somente eu, Henrique e a Mi.

Há algumas opções para ir e voltar para lá, dentre elas ir ou voltar de carro, táxi, ônibus ou caminhando pela própria praia, através de uma trilha de uns 11 km. Claro, que isso depende do horário da maré baixa.

Há também a opção de alugar um barco ou uma lancha, mas você já deve imaginar que isso é extremamente caro!

No dia que fomos, a maré estava baixa pela manhã. Então, saímos logo depois do café e pegamos um barquinho, ali na Barra, para nos atravessar até o outro lado do rio, mas ainda na direção da praia. Dependendo do nível do rio é possível atravessá-lo a pé também.

Esse passeio tem a fama do caminho ser mais legal do que a própria praia! E foi o que aconteceu, na minha opinião.

Dias mais tarde fiquei sabendo que a praia do Espelho leva esse nome porque as suas águas formam um espelho mesmo, mas para isso acontecer é preciso uma combinação muito foda de fatores, sol, maré, horário, dentre outras coisas.

A primeira parada da caminhada é na praia do Satu, que também é muito bonita e tem algumas barraquinhas para descansar. Paramos, tomamos uma água de coco antes de continuarmos a caminhada.

Antes de começarmos a subir as falésias, paramos em uma lagoa, que fica entre a praia e o início da trilha, para banhar! Saímos da lagoa e começamos a trilha subindo as falésias. O caminho é muito fácil, que inclusive é intuitivo e sinalizado.

Lagoa depois da praia do Satu.

Porém, o segredo é não seguir o direcionamento da plaquinha, logo no início, pois ele vai te levar para o meio da mata.

Se você pegar a direção oposta, será possível caminhar beirando as falésias, tendo uma vista incrível da praia e dos paredões! Depois, logo se chega em uma cerca que encontra com a trilha, sem maiores problemas ou confusões!

O caminho é bem interessante, é uma estrada de terra com bastante vegetação local e ao longo dele tem algumas casinhas “perdidas” no meio daquela mata.

Vista da praia do Satu lá de cima das falésias.

Alguns minutos caminhando, finalmente chegamos na praia do Espelho! Andamos até chegar nos quiosques que atendem os turistas! Entrei na água algumas vezes, mas é preciso tomar cuidado pois há muitas pedras logo na parte rasa.

O resto do dia usei para relaxar… o engraçado é que quando chegamos no restaurante, perguntamos se tinha consumação mínima por pessoa e o garçom disse que era de R$40, ao menos que a gente fosse almoçar por lá.

Isso é meio que óbvio, pois todos os pratos do cardápio custavam mais do que esse valor, dividindo em até 3 cabeças…

Compramos uns doces de um cara que é bem caricato e conhecido, que passa mexendo com todo mundo. Às 3 da tarde o garçom já veio com a conta para acertarmos, dizendo que o restaurante iria fechar!

A volta para Caraíva foi bem imprevisível! A gente tinha a opção de voltar de táxi que iria dar uns R$30 ou R$40, se dividirmos em 3 pessoas ou 4 pessoas, ou ir de ônibus.

Pega-se um ônibus ali na praia do espelho que pára no meio da pista e por volta das 5 da tarde passaria outro ônibus, que vem lá de Arraial e Trancoso com destino à Caraíva, esse trajeto não daria nem R$20 por cabeça.

Optamos por ir de ônibus. Deu tudo certo até chegarmos no ponto para esperar o segundo ônibus. Deu o horário do ônibus chegar e nada… passou 15 minutos e nada… até que tinha um cara de moto no ponto, que recebeu uma ligação, desligou o telefone e falou: gente, o ônibus quebrou no meio do caminho…. não vai passar!

E agora? não sabíamos o que fazer! No fim, ali perto tinha um condomínio e conseguimos que o segurança do lugar, que estava de folga, nos levasse para Caraíva no carro dele. Tinha um casal de gringos, que também ia para lá e no fim tivemos que pagar os R$40 por cabeça, que era o preço do táxi, mas rachando em 5.

Enfim, valeu a história!

Praia do Espelho!

Fazer uma Tatuagem enquanto viaja: CHECK!

Não sei porque, mas desde que eu comecei a viagem, tinha em mente que em algum momento gostaria de fazer uma tatuagem… eu só não sabia que aconteceria tão cedo.

Pois bem, correu a notícia que um tatuador estaria morando em Caraíva, no caso era o Saw, apelido para Saulo, que é carioca, viajou para Caraíva, gostou do lugar e resolveu passar a temporada com a sua família, tatuando a galera.

Em um dia a tarde, ele apareceu na pousada para conversar com o Pedro e com a Tatá que queriam fazer novas tatuagens.

Depois deles apresentarem os seus respectivos desenhos, chegou a minha vez, falei de um desenho simples que queria fazer desde quando tinha voltado da minha viagem pela África em 2015: era um aviãozinho de papel, que para mim representa liberdade.

Eu já tinha visto o Instagram do Saw e notei que ele tinha um traço muito bom e fazia uns desenhos incríveis, o cara além de tatuador é grafiteiro, manda muito bem na arte de desenhar!

O único obstáculo para não dar certo, estaria no preço. Obviamente que se eu fosse tatuar com ele no Rio ou em São Paulo, o valor seria bem mais caro, pois ele tinha que pagar estúdio e todos os custos que envolvem manter essa estrutura.

Mas eu estava em Caraíva, onde ele poderia fazer a tatuagem na própria pousada e isso proporcionava a possibilidade de fazer um preço mais camarada.

Depois que mostrei a minha proposta de desenho, ele me falou o preço exato que eu queria pagar! Perfeito!

De repente ele me fala: Bora fazer agora? Pensei comigo: Eitaaa, mas já?! Titubiei e respondi: Bora então!

Entramos na casa, na sede da pousada, ele preparou o desenho, higienizou a mesa e de repente estava rabiscando o meu couro! Não deu nem 15 minutos e a tatuagem estava pronta!

Agora eu tinha no meu corpo mais uma tatuagem das muitas que ainda quero fazer!

Tatuagem recém-feita!

Muita gente tatuou com o Saw lá em Caraíva, eu mesmo indiquei uma turista para ele. O negócio virou tão bem que ele conseguiu um espaço para fazer de mini-estúdio para atender a galera e fazer “maratonas” de tatuagem.

Se não me engano ele continua por lá durante a alta temporada! Na baixa, ele volta para o Rio ou Sampa.

Beco da Lua

A vida noturna em Caraíva era bem peculiar, praticamente era morta no meio da semana, com apenas alguns restaurantes abertos, e no fim de semana começava o agito.

Na sexta, sábado, domingo e às vezes na quinta, rolava um movimento bom que começava no Beco da Lua, o meu lugar preferido em Caraíva, e terminava nos forrós.

Eu no Beco da Lua!

O Beco da Lua tinham algumas barraquinhas vendendo comida e bebida, com esteiras, banquinhos e almofadas pra galera se sentar ali na areia mesmo. A noite o pessoal colocava velas e acendiam algumas luzes coloridas, dando mais charme ao lugar. Uma mistura de um estilo rustico e, muitas vezes,  romântico.

Rolava uma música ao vivo, som de primeiríssima qualidade, as vezes era uma banda ou então somente alguém tocando violão. Na maioria das vezes, era o povo de Arraial ou Trancoso que ia tocar por lá.

Eu adorava chegar logo no início da noite, comprar uma cerveja, sentar em uma esteira e curtir o som, por mim ficava a noite inteira ali. Eu ficava até a banda acabar!

Beco da Lua a noite!

Foi lá também que eu conheci boa parte das pessoas que passaram nesse 1 mês e meio na minha vida, desde hóspedes da pousada e de outras pousadas, até outros moradores da vila. A vibe era boa e as amizades feitas também!

Acumulei algumas histórias engraçadas por lá, como por exemplo o dia em que eu estava sentado em um banco e uma menina pediu para sentar do meu lado, não me atentei que ela sentou bem na ponta e depois de alguns minutos quando fui levantar ela desabou no chão, caímos na risada.

Ou então, quando conheci a Paloma e a Priscila, duas gurias de Sampa que estavam sentadas em uma esteira e eu sentei bem do lado, porque confundi uma delas com outra pessoa… no fim, viramos bons amigos!

O forró daqui é melhor do que o seu…

Vamos aos forrós!

Todas as festas, ou baladas, de Caraíva eram 99% forró, que nem precisa falar que é mais do que tradicional. Aliás, muitos turistas são forrozeiros de carteirinha!

Na sexta tinha forró no Bar do Porto (originalmente é no forró do Ouriço, que só abre na alta temporada), no sábado tinha Forró do Pelé e as segundas tinha também lá no Canto da Praça.

Infelizmente, o Canto da Praça fechou, enquanto eu estava lá, agora não sei se abriu alguma coisa no lugar. O espaço era bacana e tinha muito potencial!

O que eu mais gostava era o do bar do Porto, pois não cobrava entrada e sempre tinha um trio tocando, já o forró do Pelé, na maioria das vezes que fui, tinha só forró mecânico (que é quando colocam somente o som para tocar, sem banda nenhuma) e quem estivesse afim, dançava… geralmente quando era assim não ia quase ninguém… nos dias mais movimentados eles colocavam um trio e cobravam a entrada.

Eu ficava só admirando o povo dançar, estava acostumado a ver somente o 2 pra lá, 2 pra cá, vi muita gente fazendo malabarismo dançando, era um forró rodado, bonito de se ver!

O povo que vai nos forrós em Caraíva geralmente sabia dançar muito bem, e quer queira ou quer não isso me inibia a tentar dançar… eu criei coragem somente nas últimas semanas que estava por lá.

Apesar de não ter aproveitado muito bem esse movimento, ali me despertou um interesse genuíno em querer aprender a dançar forró e desenvolver um lado artístico que nunca dei atenção na minha vida.

Aos poucos, conforme fui subindo pelo nordeste comecei a arriscar a dança, de leve, sem saber quase nada… até chegar em Jeri, onde fiz aula por 2 meses, mais ou menos, e aprendi muita coisa, agora pelo menos o básico eu sei! Eu ainda vou voltar pra Caraíva e dançar forró!

Forró no Canto da Praça.

Quem marcava presença nos forrós também eram os cachorros. Aliás quase todos já eram figura carimbada na vila. Era possível saber a maioria do nome deles!

Eles gostavam de arrumar confusão, principalmente durante a noite. Do nada, tudo está tranquilo, quando ouve um barulho de cachorros brigando e tome gente correndo para tudo quanto é lado para fugir deles ou apartar a briga.

Algumas vezes o Pipoca também estava metido nessas brigas. Aliás vi muito mais confusão entre os cachorros do que entre as pessoas.

Gostou de saber um pouco mais sobre como era a minha vida lá em Caraíva? Então, curte aí a página no Facebook e acompanhe as novidades do blog 😉

Matheus Boscariol

27 anos, mochileiro, dando um rolê pelo Brasil.

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