#12. Hoje o ônibus não vai sair

E depois de 1 mês e meio, estava eu novamente na estrada. Dessa vez, dentro de um carro em movimento, percorrendo uma estrada com trechos de terra batida, acompanhado por duas gurias soteropolitanas, só observando a chuva cair.

Tirei uns 2 minutos para olhar profundamente para fora do carro e tentar processar tudo que tinha acontecido até ali, foi em vão, minha cabeça não me deixava focar e nem me concentrar. Caraíva foi muito bom, mas estava na hora de buscar mais bons momentos como os que vivi por lá, escrever mais histórias no meu diário…

Voltei para a realidade e comecei a observar o quão precária era a estrada que estávamos passando, a chuva, que oscilava entre forte e fraca, formou poças enormes, cada vez que o carro passava era um alívio, o medo dele atolar era grande, pelo menos para mim.

FUNAI

A Roberta estava no volante e a Clara no banco da frente, elas gentilmente me deram carona, a princípio eu teria a companhia delas somente até Porto Seguro, onde eu pegaria um ônibus até Arraial D’Ajuda, meu próximo destino.

Comecei a trocar ideia com as meninas para conhecê-las melhor, a Clara é assessora de imprensa e trabalha como freelancer, já a Roberta é mestranda em geografia. Ela estava na região de Caraíva para fazer um trabalho de campo, pois lá tem várias tribos indígenas, chamou a Clara para acompanhá-la na viagem. A tese do seu mestrado está relacionada à terras indígenas, não lembro especificamente o tema.

Tivemos uma conversa agradável logo nos primeiros minutos no carro, compartilhei as reflexões que tive ao ver a cerimônia do Dia do Índio na tribo e ela me contou o que tem visto por aí, ao longo do seu trabalho com o mestrado. A Roberta demonstrou uma boa consciência sobre como lidamos com a cultura indígena.

O ponto alto da conversa foi quando ela me fez refletir sobre o quanto nós, cidadãos não indígenas, deslegitimamos os índios pelos motivos mais banais possíveis, como por exemplo, o fato deles usufruírem de objetos modernos, tal como um smartphone . Isso está muito errado.

Papo vai, papo vem e, enfim, chegamos em um trecho de estrada asfaltada e o medo do carro atolar já não era mais presente. No meio do caminho as meninas resolveram passar o dia em Arraial ao invés de Porto Seguro! Oba, isso quer dizer que tinha carona até meu destino final.

Antes de ir para lá, teríamos que esperar a Roberta fazer uma entrevista lá na sede da FUNAI de Porto, em mais uma etapa do seu trabalho para a tese do mestrado. Paramos o carro em uma rua qualquer, almoçamos em um restaurante muito bom.

Depois do almoço, enquanto eu e a Clara ficamos conversando,  a Roberta se dirigiu para fazer a sua entrevista, que já estava agendada.

Fiquei trocando ideia por toda a tarde com a Clara. A conversa fluía muito bem, o tema principal era a vida de freelancer, ela já trabalhava há um bom tempo assim e tem uma bagagem muito boa, diferente de mim que estava fazendo aquilo para me bancar viajando.

O mistério do planeta

A tarde passou e a Roberta terminou a sua entrevista, passou nos buscar e partimos em direção à balsa para atravessarmos para Arraial D´Ajuda.

Acho que fazia um bom tempo que eu não andava de balsa, realmente não me recordava de quando tinha sido a última vez. Me lembro muitas vezes da travessia Guarujá – Santos, mas depois disso, não consigo me lembrar de mais nenhuma.

A Clara e a Roberta foram muito legais comigo, não deixaram nem eu pagar uma parte da balsa, eu agradeci elas imensamente e elas insistiam que não estavam fazendo nada de mais.

Mal elas sabiam que aquilo era muito, qualquer R$1 real que a gente economiza na estrada é valioso, ajuda a prolongar a viagem por mais tempo, dá a oportunidade de conhecer novos lugares ou investir em um nova experiência, mais importante que isso é o gesto da ajuda e da generosidade, isso realmente não tem preço!

As meninas ficaram em uma pousada e eu no Hostel Novos Bahianos. Uma casa enorme com vários quartos, área de lazer e uma piscina, fica dentro de um “condomínio”. Cheguei debaixo de chuva e fui recepcionado por um dos donos, um francês muito gente boa e engraçado.

O francês fez questão de parar e “perder” 30 minutos do seu dia para me fazer um mapa a mão, explicando e mostrando tudo o que eu poderia fazer em Arraial. Gostei muito dessa atenção que ele deu.

Não tinha muito o que fazer naquele momento, ainda estava chovendo muito. Fui para a área comum do hostel e fiquei conversando com outros hóspedes e os voluntários que trabalhavam ali.

Quando a chuva deu uma trégua, aproveitei para sair e conhecer um pouco da civilização, além de fazer algumas compras. Engraçado que no mercado eu escutava mais gente falando espanhol do que o português.

Acho que esse foi o primeiro contato que tive com o litoral brasileiro tomado por gringos, principalmente por argentinos. No caminho de volta para o hostel tomei chuva, já estava quase ensopado quando cheguei, fui direto para o chuveiro.

Minha noite terminou em um restaurante japonês com a Roberta e a Clara, comemos e bebemos muito bem! Me despedi delas e agradeci mais uma vez por terem cruzado o meu caminho.

Agradeço também ao universo por ter enviado 2 anjos para me “escoltar” durante esse trajeto, com certeza a despedida de Caraíva em um dia de bastante chuva foi mais tranquila na companhia delas.

Combinamos de nos encontrar em breve, em Salvador!

Workaway aqui… Worldpackers ali

Os dias em Arraial foram muito chuvosos, estava com planos de tirar um dia para conhecer Trancoso, mas pela chuva resolvi cancelar e ficar por lá mesmo, as chances de “perder” o dia seriam grandes. Vai ter que ficar para uma próxima.

Apesar disso, foi muito bom ficar aqueles dias no hostel para relaxar e também interagir com uma galera que estava trabalhando como voluntário em troca de hospedagem. Foi a primeira vez que encontrei várias pessoas fazendo a mesma coisa que eu durante a viagem.

Trocamos altas ideias, falando a “mesma língua”. Eram por volta de 5 a 6 voluntários, dentre eles o Javier e a sua noiva, dois argentinos que estão viajando a América de moto há algum tempo, a Sarah, uma carioca que leva essa vida de mochileira na estrada desde os 19 anos e o Marcelo, um cara buscando um caminho baseado na arte.

A conexão foi tão boa que meses mais tarde reencontrei o Marcelo nas ruas do Pelourinho em Salvador e a Sarah nas areias de Jeri.

Praia com chuva

No meu segundo dia em Arraial acordei cedo, tomei o café da manhã bem tranquilo, estava chovendo ainda. Aproveitei para colocar algumas coisas em ordem, terminar alguns trabalhos e enviar sem maiores preocupações.

Lá pelas duas da tarde mesmo com chuva resolvi ir para a praia, fui acompanhado da Sarah, voluntária do hostel, que me levou até a praia Mucugê.

O caminho estava puro barro por causa da chuva, descemos até a praia pela rua que dá acesso a beira-mar. Nos abrigamos em um tipo de um quiosque, fiquei só observando o tom da água meio esverdeado, mesmo com chuva, estava lindo, de encantar os olhos!

Aproveitei e fiquei conversando com a Sarah, eu com apenas 2 meses de viagem ainda tinha muito que aprender com alguém que viaja pelo Brasil há mais de 6 anos nessa pegada low cost, pegando carona, trabalhando nos lugares, fazendo couchsurfing e afins.

Não sei quanto tempo ficamos lá, mas lembro que passou tudo muito rápido até a chuva forte começar a voltar. Foi só o tempo de caminharmos de volta para o hostel que o mundo caiu mais uma vez. Só me restava terminar o dia trabalhando.

A noite rolou uma seção de música ao vivo que foi puxada pelo Rick, um cabra muito gente boa que estava morando temporariamente lá no hostel.

Ele é um brasileiro que vive na Espanha, é músico e faz parte de uma banda que toca musica típica brasileira: axé, samba, pagode. Dentre os seus clientes estão alguns brasileiros famosos que jogam nos melhores times de futebol da Espanha.

Pelo que ele me falou a música brasileira faz muita falta para eles, então qualquer oportunidade que tinham, a sua banda era contratada para as festas com os amigos.

No inverno europeu o Rick vem para o Brasil e trabalha como garçom em lugares turísticos como Arraial, ele consegue atender os clientes em espanhol, o que valoriza muito o seu trabalho. Como a maioria desses lugares paga os 10% do garçom religiosamente, realmente esse é um trampo que vale a pena pegar em lugares que não há “baixa” temporada.

Ficamos até tarde relembrando boas músicas do reggae, samba e MPB. Apesar da chuva, foi uma noite bem divertida!

Praia Mucugê

Eu e a minha paz

No outro dia não teve muita novidade pela manhã, acordei, tomei café da manhã mais uma vez. Enquanto comia, trocava ideia com o Javier sobre como é viajar de moto e o seu plano ousado de chegar ao Alaska.

Acho que ele foi um dos primeiros argentinos que eu tive um contato mais próximo durante a viagem, de trocar ideia e tal. Depois disso fui conhecendo uma porção deles e entendendo que eles adoram o litoral do Brasil, pois praia com calor é algo muito escasso na Argentina.

A grande maioria deles são muito gente boa, essa rivalidade Brasil X Argentina vinda do futebol é pura besteira! Eles são uns “boludos” muito queridos!

Lá pelas 11 da manhã o tempo começou a abrir e eu nem perdi tempo e já corri para a praia. Desci pela Mucugê e fui caminhando até a praia da Pitinga. Foi uma caminhada bem gostosa, com a maré baixa, a água estava cristalina, deu até para ver os corais lá no fundo, sensacional!

A orla da praia é cheia de quiosques e estava relativamente cheia de gente aproveitando a trégua que a chuva deu. Caminhei até achar uma faixa de areia livre! Quando achei, sentei, deitei, meditei, ouvi música, entrei na água, voltei para areia, tomei sol, comi, entrei na água de novo.

Lembro de ficar só observando todo o movimento da praia, além de notar o quão lindo era aquele mar. Foi uma das tardes mais gostosas que passei, era somente eu acompanhado da minha paz!

Depois de um tempo, resolvi continuar caminhando, passei pelo rio que encontra com o mar e lembrei de Caraíva, cheguei bem perto das falésias e fiquei observando toda a imensidão que é aquela obra da natureza.

Praia da Pitinga com as falésias ao fundo.

No fim da tarde voltei para o hostel, tomei um banho e sai a noite para ver o movimento de Arraial. A rua mucugê é bem animada, com vários pontos de música ao vivo, feira hippie, bares e artistas na rua. Foi uma noite bem gostosa para fechar o dia!

No meu último dia eu fiz a mesma coisa, praia da Pitinga e rolê a noite pelas ruas da cidade. Lembro de ficar um tempo apreciando uma banda muito boa tocando de tudo na rua, com direito a Raul e Cazuza.

Era muito massa de ver algumas figuras ali curtindo o som, muitos estavam bem embriagados, mas estava cada um na sua vibe, aproveitando o momento, sem nenhuma preocupação com ninguém.

Hoje o ônibus não vai sair

Era sexta-feira cedo quando me despedi do hostel Novos Bahianos, passei uma semana muito gostosa por lá, com certeza estar num hostel deixou os dias chuvosos bem menos tediosos, muito pelo fato de ter com quem conversar e socializar.

Estava me despedindo de Arraial D´Ajuda também, meu destino era a rodoviária de Porto Seguro, onde pegaria um ônibus para Itacaré.

Confesso que essa foi uma das poucas vezes em que resolvi planejar todos os detalhes durante a viagem para o próximo destino, comprei a passagem de ônibus com antecedência e reservei uma diária em um hostel também com antecedência… mal eu sabia que nada disso daria certo.

Essa sexta-feira não era uma quinta qualquer, era o dia 28 de abril de 2017, o dia em que aconteceria a chamada greve geral, em protesto ao avanço da reforma da previdência proposta pelo presidente da república.

Eu até estava acompanhando por cima as movimentações dessa greve, mas sinceramente nao botei fé que aquilo chegaria em Porto Seguro. Pobre inocente!

Ao caminhar do hostel até a pracinha, meu objetivo era pegar um ônibus até a balsa, ali um sinal de alerta já foi ligado. Pedi informação na rua onde poderia embarcar e uns rapazes que trabalham no supermercado me falaram que não iria sair ônibus naquele dia por causa da greve, mas havia a opção de ir de van. Eita!

Resolvi arriscar! Peguei uma van que me deixou até a entrada da balsa. Quando cheguei, um certo alívio me bateu, pois a balsa estava funcionando normalmente, o que era um bom sinal!

Indo para Porto Seguro de Balsa!

Já em Porto Seguro, peguei um mototáxi até a rodoviária e ao chegar lá, encostei no guichê do ônibus e recebi a notícia que foi uma surpresa… que no fundo já era esperada.

O atendente do guichê me disse as seguintes palavras: “Hoje o ônibus não vai sair.”

Com o dedão na estrada

Conversei com o funcionário da viação e o próximo ônibus sairia somente às 5 e meia da manhã do outro dia. Tirei uns 10 minutos para processar toda aquela informação e o imprevisto gerado naquela manhã, parei, sentei em um banco e fiquei sem fazer nada.

A medida que a cabeça foi se esvaziando, comecei a pensar nas possibilidades. Ficar mais um dia em Porto Seguro em uma pousada não era a minha vontade. A solução que mais me agradaria seria tentar uma carona para Itacaré, Itabuna ou Eunápolis. Até baixei o aplicativo Bla Bla Car mas não tinha nenhum carona disponível para esses destinos.

Resolvi então tentar algo novo até então: Ir para a estrada e tentar uma carona. Fui caminhando e tentando por alguns minutos sem nenhum sucesso. A estrada estava lotada de pneus queimados, parecia que o protesto da greve tinha acabado fazia pouco tempo. Encontrei um posto 24 horas e me alojei por lá.

De tempos em tempos eu voltava para a estrada, com o dedão sinalizando que estava buscando por uma carona para qualquer veículo que passasse. Mais uma vez sem sucesso.

As desculpas eram as mais variadas possíveis, teve desde gente que me olhava com um sorriso e falava que estava indo para outro lugar, até gente sinalizando que o carro tava lotado, sendo que dava para ver que estava vazio…Paciência!

O máximo que eu consegui foi um cara de bicicleta que parou pra trocar uma ideia e me falou que se não conseguisse eu poderia dormir na casa dele. Uma pena ele não ter voltado mais tarde.

Conversei com alguns caminhoneiros, que estavam no posto, e eles me desanimaram, me falaram que dificilmente eu conseguiria algo, um dos motivos é que muitos deles foram assaltados naquela região, então ninguém pararia por medo de ser roubado.

Eles me falaram também que a grande parte dos caminhoneiros que viajaram naquele dia saíram bem cedo do posto, então se eu tivesse lá pelas 6 da manhã eu poderia ter conseguido algo.

Refleti e vi que realmente eu não estava nem um pouco preparado para pegar um carona daquele jeito, naquele momento, fui pego de surpresa em uma situação fora do meu controle, estava apenas tentando corrigir o meu rumo naquele dia.

Resolvi aceitar que não poderia mudar nada, o plano agora era passar a noite no posto e esperar até amanhecer para trocar minha passagem e pegar o ônibus bem cedo na rodoviária.

Como sempre temos que tirar algo de bom mesmo das situações mais adversas, hoje penso e digo que valeu a experiência!

Ao anoitecer fiquei sentado na conveniência do posto, assistindo TV, comi um prato feito e troquei ideia com alguns moradores que estavam  de passagem. A mochila chamava a atenção e muita gente queria saber o que eu estava fazendo por lá. Uma pena não ter conhecido ninguém que iria para alguns dos meus possíveis destinos, poderia ter conseguido uma carona.

A minha noite já tinha hospedagem certa: Fiquei no posto mesmo! Por um momento parei e agradeci por experimentar a sensação de estar sozinho em um local a céu aberto, no relento, me fez valorizar todo os lugares que tive a oportunidade de passar e que pude ter um teto para dormir, principalmente as casas em que morei por toda a minha vida.

Por alguns minutos me bateu uma grande saudades de casa e de todo o conforto que ela oferece. Mas a minha espera nem seria muita, antes do dia clarear já sairia um ônibus de Porto Seguro para Itabuna e de lá eu iria para Itacaré. Tentei focar nisso, em breve já estaria viajando novamente.

Tentando uma carona na estrada, perto do posto.

Um recepção nada amigável

Aproveitei para ler um livro, fazia tempo que não colocava a leitura  em prática e estava me fazendo um pouco de falta.

A conveniência fechou às 23 horas e eu achei um canto no posto, próximo da bomba de encher pneu, e me encostei.

Fiquei só observando o movimento do posto e lendo, até que tive uma recepção nada amigável de um dos funcionários que estava no turno da noite. Ele chegou e perguntou se eu estava esperando por alguém, expliquei o que aconteceu e que estava esperando o ônibus que sairia pela manhã.

Eu, inocente achei que teria uma recepção semelhante ao episódio em que também estava esperando um ônibus pela madrugada em um posto em Gaborone na Botswana. Naquela ocasião, os funcionários abriram até uma van do posto para eu e mais 2 amigos dormirmos durante a noite. Mais uma vez, estava enganado.

O frentista não foi nada empático e me falou que ali era “lugar de trabalhar”, que eu deveria esperar o ônibus na rodoviária. Já era quase madrugada e ir caminhando até a rodoviária estava fora de cogitação. Fiquei na minha e ignorei o que ele falou, não retruquei para não criar confusão.

A noite foi passando e a cada vez que ele se aproximava por algum motivo, sempre me questionava de estar esperando ali. Até que chegou um momento, que minha paciência também começou a se esgotar e falei para ele que não iria sair.

Então, ele me propôs que eu ficasse atrás do lava jato, um lugar um pouco mais reservado, aceitei a sua proposta e caminhei até lá, mas fiquei só uns 30 minutos pois estava um pouco molhado e fazendo muito frio.

Naquele momento eu já estava pouco me importando se estava incomodando ou não e voltei para onde estava e fiquei até umas 4 e meia da manhã, dessa vez o frentista não voltou a falar comigo e parece que tinha aceitado a minha presença. Eu cochilava de 30 em 30 minutos.

Eu que tinha acumulado só experiências de gente me ajudando, fui premiado por um dia com uma sequência de falta de dificuldades, descaso e falta de empatia, aprendi que nem sempre as pessoas podem ou estão dispostas a ajudar alguém. No mínimo foi um dia de aprendizado.

Chegou a hora de ir embora do posto, passei na guarita que o frentista estava, sorri e falei: “Bom dia! Obrigado pela companhia durante a noite!” O cara ainda teve a cara de pau de me falar: “De nada… você quer um café?”

Segui meu caminho para a rodoviária, lá pelas 5 já estava lá. Troquei minha passagem de ônibus e deu tempo até de acontecer algo engraçado: O cara que estava na minha frente na fila da passagem estava apertado para ir no banheiro e de repente ele me deu o dinheiro e o seu documento, falando pra eu comprar a passagem pra ele.

A naturalidade com que ele fez isso, como se eu fosse um conhecido foi surpreendente, estava rindo internamente. Comprei a passagem para ele e quando voltou, me agradeceu.

Enfim embarquei, o meu primeiro destino era a cidade de Itabuna, onde pegaria um outro ônibus para chegar em Itacaré! Ainda no ônibus agradeci pela experiencia que passei, por ter experimentado um pouco do frio, do desabrigo e da indiferença. 

Toda vez que estou em um lugar em que sou bem recebido e com um mínimo de conforto, me lembro dessa noite que passei no posto em Porto Seguro e isso me torna grato por estar ali!

Quando o ônibus começou a se movimentar, eu apaguei. Estava ansioso para o próximo destino, algo me dizia que um bom lugar para descansar e desligar do mundo estava prestes a vir! Minha próxima parada seria a Ecovila de Piracanga!

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Matheus Boscariol

27 anos, mochileiro, dando um rolê pelo Brasil.

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