#25. Me despedindo do Alagoas

Estava em mais uma dessas vans que fazem o transporte entre as cidades alagoanas, até que ela parou em uma rua qualquer: era o ponto final da cidade de Maragogi. Desci, peguei minhas coisas e fui caminhando pela avenida beira mar até encontrar o Brazuca Hostel, indicação do Federico de Japaratinga.

Cheguei em uma porta pequena, com uma escada que leva até o segundo andar, é lá que funciona o hostel de fato. Quem me recebeu foi a Cíntia, uma das voluntárias que estava trabalhando ali e, assim como eu, tinha recém chegado.

Ela me apresentou o Tomo, o gerente do hostel, japonês, morando há mais de 3 anos no Brasil, com um português muito bom, que coloca a dificuldade dos orientais em aprender a nossa língua no chinelo.

Depois de me acomodar, pedi sugestões do que fazer. O Tomo me recomendou caminhar e conhecer a praia de Antunes, a mais conhecida ali nos cantos de Maragogi. Era isso que tinha para aquele dia então. Me troquei, atravessei a avenida, coloquei meus pés na praia principal e comecei a caminhar.

Caminhando até a praia de Antunes

Como eu falei no post anterior, a minha intenção era sair de Japaratinga e ir diretamente para a praia de Carneiros, em Pernambuco, mas como descobri que teria que passar por Maragogi de qualquer jeito, pensei que não custava nada ficar pelo menos 2 dias ali e dar uma chance para o lugar me mostrar o que tem de bom.

Então, cheguei sem nenhuma expectativa, não queria fazer nenhum passeio pago, eu sabia que tinha a visita e o mergulho nas famosas piscinas naturais de Galés, mas de cara já descartei essa possibilidade. Então, deixei a própria Maragogi me levar e me surpreender. Ela conseguiu!

A caminhada até Antunes deve ter levado uns 30 ou 40 minutos: depois de atravessar um pequeno rio que corta a praia, continuei o trajeto pela beira do mar até notar que tinha chegado em uma praia diferente.

Percebi que estava chegando ao ver a tonalidade da água, que começou com um azul normal até ficar bem próxima daquele conhecido “azul piscina”, totalmente transparente. Que cor linda! Naquele momento, percebi que valeu a pena sim ter parado nesse destino que antes era uma incógnita para mim.

Sentei em um canto, estendi minha canga e fiquei só observando a paisagem que estava a minha frente. Realmente, São Miguel dos Milagres, Japaratinga e Maragogi formam um pedaço muito rico do litoral alagoano, vale muito a pena conhecer.

Entrei na água, o sol estava forte, deu para me refrescar bem e até me divertir — vendo o meu corpo imerso na água, direto da superfície. Voltei para a areia e resolvi caminhar mais um pouco, queria seguir caminhando por aquela praia que tinha acabado de me conquistar pelos olhos.

Praia de Antunes

É você que está no hostel, né?

Depois dessa leve caminhada, sentei perto de umas cadeiras com guarda-sol, estava distraído, tomando sol, até que uma menina me fala: É você que está no hostel, né? Era a Cíntia, a argentina que me recepcionou no Brazuca, estava junto com a Vicky (outra voluntária) e o Ricardo, também hóspede, meu companheiro de quarto.

Me sentei perto deles e começamos a conversar. As meninas moravam no Brasil há um tempo, estavam vivendo em Búzios, juntaram uma grana e estavam mochilando, voluntariando, o objetivo era chegar até a Amazônia. Já o Ricardo, é carioca, foi fazer um concurso público em Natal e resolveu voltar para casa conhecendo o Nordeste, descendo o seu litoral, me lembro que estava apaixonado por Pipa, me deu várias dicas e recomendações de lá.

Fiz uma amizade bacana com todos os três, o Ricardo vira e mexe me mandava áudio no Whatsapp, perguntando da viagem e da vida. A Vicky e a Cíntia tive o prazer de reencontrá-las em Jeri, meses mais tarde.

Depois de passar a tarde toda na praia, voltamos de van para Maragogi. Pegamos o transporte local na estrada mesmo. Descemos no centrinho da cidade.

Sorvete de 1 real

Chegamos e descobrimos que havia uma sorveteria em que a bola do sorvete custava 1 real (sim, isso ainda existe). Provei e o sorvete estava bem bom, foi um ótimo custo-benefício. Depois, passei no mercado para comprar o meu jantar: macarrão, molho e salsicha (um dos pratos clássicos dos universitários, mochileiros e afins). Até o Tomo aceitou um prato e falou que estava bom.

Nesse meio tempo chegou uma outra argentina no hostel, a Maje, amiga da Vicky e da Cíntia. Também estava de mochilão pelo Brasil, com boas histórias de estrada para contar. Era dia de festa na cidade, comemoração de São João (já era junho né), tinha uma bandinha de forró, festa junina e quitutes para comer na pracinha. Fomos até lá e deu para se divertir, foi bom para mim que estava há um tempo viajando sozinho, estava precisando ver um movimento mais agitado na rua.

As meninas queriam comer as comidas típicas, mas não tinha muita coisa diferente, somente cuscuz, cachorro-quente e alguns doces, disseram que já tinham provado tudo anteriormente. Pegamos o finalzinho da festa, então não deu para ficar muito. No outro dia teria mais!

Festa Junina na pracinha

Em Ponta de Mangue

No outro dia já tínhamos combinado de conhecer outra praia: Ponta de Mangue. Fomos eu, Ricardo, Maje e uma outra hóspede do hostel que também era argentina, mas não me recordo o nome. Para ganhar tempo, fomos de van e descemos em Antunes.

A água estava sensacional, uma grande piscina natural com a maré baixa, a profundidade estava apenas até os joelhos. Nos aventuramos entrar, caminhar até chegar lá no fundo para ver os corais.

Sensacionall!

A cena era linda, mas também achei um tanto quanto perigoso fazer aquilo, no embalo, fomos avançando sem orientação, só depois de caminhar uma boa distância, sem chinelo, na volta, percebi que tinham vários ouriços do mar espalhados.

O perigo era pisar em algum deles, certamente o destino teria que ser o hospital. Enfim, não tivemos problemas com isso, ainda bem!Foi questão de tempo para a maré encher, e nos apressarmos para voltar.

Aquela selfie saindo do mar!

Depois disso, o Ricardo já voltou para o hostel, pois seguiria viagem para Maceió naquele mesmo dia. Continuei a caminhada com as meninas para a Praia de Ponta de Mangue, que também não perde em nada em relação a beleza para Antunes. Passamos uma tarde agradável e voltamos de van, igual no dia anterior.

Chegando em Ponta de Mangue!
Mais uma de Ponta de Mangue
Arco-íris!

Quadrilha descaracterizada

Pela noite fomos novamente para a festa junina na pracinha da cidade. Conseguimos chegar e ver desde o seu início, inclusive, presenciar a apresentação de uma quadrilha bem descaracterizada! Foi divertida, engraçada, eles puxavam o povo que estava assistindo para dançar.

Ali já deu para sentir um pouco o que é a comemoração do São João no Nordeste! Realmente, as festas juninas da região tem um outro patamar!

Deu até para arriscar dançar um forró com a Maje. Ela estava querendo muito dançar e aprender. O meu ritmo ainda estava bem ruim, mas deu para se virar e se divertir também.

Me despedindo do Alagoas

O tempo em Maragogi passou muito rápido. Quando vi, pela manhã do outro dia já era hora de me despedir do estado do Alagoas, peguei uma van até a cidade de Barreiras e de lá segui para Tamandaré, o meu primeiro passo em um novo estado a ser desbravado: Pernambuco.

Hoje, olho para trás e vejo que foi muito boa essa passagem por esse estado tão rico, estava realizado, conheci muita gente boa, um pouco da sua história com o cangaço e o Rio São Francisco, além de algumas das praias mais lindas que já vi na vida!

Gratidão por ter me acolhido tão bem, Alagoas!

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Matheus Boscariol

27 anos, mochileiro, dando um rolê pelo Brasil.

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