#13. O amor em mim saúda o amor em você

Depois de um dia totalmente fora do comum, entrei no ônibus para Itabuna e simplesmente capotei! Só acordei perto de chegar na rodoviária, que estava lotadíssima, creio eu que muita gente teve que postergar a sua viagem de sexta para o sábado.

Em uma situação normal, eu deveria esperar apenas alguns minutos para embarcar no próximo ônibus para Itacaré, mas ele estava muito atrasado, em mais de uma hora. Finalmente ele chegou! Entrei, sentei, mas dessa vez não consegui pregar o olho.

Depois de passar por Ilhéus, cheguei na cidade intitulada de “Paraíso Baiano” perto das 3 da tarde. A rodoviária é bem pequena, subi uma rua e já estava em uma das avenidas principais. Eu não iria ficar em Itacaré naquele momento, passaria 3 dias desligado do mundo, na Ecovila de Piracanga, ela fica em um local bem afastado da cidade, indo em direção ao norte da península de Maraú.

Eu estava esperando o transporte agendado para me levar para a ecovila em um ponto combinado. Era um supermercado ali mesmo na avenida principal.

Tapioca granulada

No mercado fiz algumas compras, comprei algo para comer e mais algumas coisas para o Felipe, um grande irmão que estava morando em Piracanga. Ele me pediu para comprar tapioca granulada para fazer um doce. Achei interessante, pois eu nem sequer sabia que existia tapioca sendo vendida dessa forma.

Sai do mercado e fiquei na rua da frente esperando o carro de Piracanga. Estava bem cansado, resolvi sentar na calçada mesmo. Observando o movimento, vi que uma menina chegou e também estava com malas esperando por alguém, era bem provável que estávamos na mesma espera.

Depois de um tempo, me aproximei e descobri que estava certo, a Carô (acho que é assim que se escreve o nome dela) iria visitar um amigo que mora na ecovila, pretendia passar mais de 1 mês por lá. Ela é roteirista, o que dá uma certa flexibilidade para trabalhar a distância.

Passamos alguns minutos conversando. Dentre os assuntos, ela me contou como esqueceu o notebook no aeroporto e conseguiu recuperá-lo depois via o próprio transporte de Piracanga.

Às 5 e meia, o carro chegou, era uma Hilux branca. O motorista era o Bryan, um cara bem gente boa que nos conduziu tranquilamente até lá, apesar da estrada estar bem esburacada com muitas poças d’água originadas da chuva. Ele nos contou do susto que levou no dia anterior, quando um carro desgovernado chegou a encostar na caminhonete enquanto ele percorria a mesma estrada.

O caminho até Piracanga é lindo, com o entardecer ficou ainda mais encantador, impossível não perceber que tudo vai ficando mais leve conforme se aproxima do local. Parei por um tempo, me desliguei do momento presente e comecei a refletir sobre aquela tarde, estava me deslocando com uma vista maravilhosa, com o máximo de conforto possível e uma conversa agradável. Era um cenário bem diferente comparado com as últimas 24 horas.

Inkiri

Logo quando desci do carro, retirei minha mala, agradeci o Bryan por ter nos conduzido até lá, cheguei na recepção do centro holístico e ao bater o olho no balcão li a seguinte frase:

 

O amor em mim saúda o amor em você

 

Esse é o significado da palavra Inkiri. Mais do que uma palavra, representa um cumprimento de uma antiga tribo indígena que vivia ali na região, nas margens do rio Piracanga.

O significado de “Inkiri” no balcão do Centro Holístico.

Hoje, a comunidade e o centro holístico também levam esse nome: O Centro-Ecovila Inkiri Piracanga. Segundo o próprio site da comunidade, ela está à beira do rio e do mar, imerso numa natureza encantadora. Conforme os dias passaram, posso dizer que concordo plenamente com essa definição.

A grande proposta deles é reunir pessoas que estejam dispostas a viver o sonho da comunidade, colocando os seus dons e talentos a serviço da espiritualidade, do autoconhecimento, da natureza, da própria comunidade, da educação, das artes e da alimentação.

Você pode entender melhor sobre a comunidade de Piracanga aqui. Eles oferecem algumas formações, cursos e retiros. Dá uma olhada na programação.

Conforme o andamento da minha viagem, tanto antes, quanto depois de estar lá, cheguei a conclusão que Piracanga é um lugar que divide opiniões. Alguns amam, outros odeiam.

Tem gente que descobre que lá é um ótimo lugar para se viver, com qualidade de vida, em todos os sentidos. Mas também tem gente que critica fortemente a comunidade em si, o principal motivo são os preços dos seus cursos e terapias espirituais, que ao meu ver é caro na maioria dos lugares que oferecem algo do tipo.

Conheci pessoas que tiveram ótimas experiências por lá, da mesma forma, gente que não teve uma convivência tão boa assim, devido a falhas de convivência da comunidade em si. Mas sabemos que todos os lugares possuem os seus problemas de convivência, não é mesmo?

Respeito a opinião dos dois lados e jamais vou entrar no mérito de julgar quem está certo e quem está errado. Para mim, o mais importante foram os 3 dias que tive a oportunidade de estar próximo desse lugar, me fez muito bem!

Sem beber, fumar, usar drogas e comer carne…

Fui muito bem recebido na recepção. Tinha reservado 3 diárias com todas as refeições inclusas para ficar no quarto compartilhado, igual em um hostel.

Logo após fazer o check-in e acertar os valores das diárias, fui instruído sobre algumas regras e acordos da comunidade. As principais são: Não pode beber, fumar e nem usar qualquer tipo de droga. Além disso, é proibido o uso de produtos não-biodegradáveis.

Mas o que são os produtos não-biodegradáveis? São os shampoos, sabonetes, desodorantes, todos os industrializados de higiene que usamos no dia a dia. A explicação para essa regra é bem simples: Eles trabalham com o que chamam de ciclo completo da água. Por exemplo, a água que tomamos banho é tratada e reaproveitada para lavar a louça depois.

Um dos agentes responsáveis por esse processo são as bananeiras, que limpam a água antes dela voltar para ser usada novamente. Eles possuem um laboratório que vendem os produtos de higiene biodegradáveis, inclusive, me forneceram um kitzinho para usar durante a minha estadia. Outra coisa legal é que há também uma moeda local por lá.

Outra regra é relacionada a alimentação, que é vegana, ou seja, nada de carne e derivados de animais. Para você que ao ler isso, achou que eu passei fome nesses dias, digo que está enganado. Aliás, acho que foi em Piracanga que eu tive as melhores refeições da viagem.

Do café da manhã até a janta, impressionante a variedade de comida e a criatividade com que eram preparadas. Eu comia muito, até não aguentar mais. Quem me conhece sabe o quanto eu gosto de carne, mas lá não senti falta nenhuma dessa proteína.

Por fim, tem a questão da energia também, lá é utilizada a solar. Então, carregar aparelhos só entre as 10 da manhã e as 3 da tarde, que é quando o sol bate mais forte. Nos outros horários é bom evitar pois corre-se o risco de faltar luz na comunidade e eles serem obrigados a ligar o gerador, mas isso é algo que ninguém quer ali.

Uma das peculiaridades de Piracanga são os seus banheiros secos, que são aqueles banheiros sem ecológicos sem descarga. Neles, as fezes viram adubo, simples assim! Naquele dia em que cheguei eu até usei o banheiro normal do meu quarto, mas depois fiz um esforço para adentrar a proposta da comunidade e só utilizar o banheiro seco, foi tranquilo e mais fácil do que eu imaginava.

Como o Felipe, meu amigo que comentei anteriormente, já estava lá fazendo um curso e vivendo na comunidade por alguns meses, eu já sabia de tudo isso. Mas mesmo eu falando para o cara da recepção que tinha entendido e que já sabia, ele fez questão de repetir várias vezes todas as regras. Creio que muita gente desavisada chega por lá ou simplesmente não se importa com isso.

Depois disso, já podia me dirigir para o quarto, quem me levou foi um dos caras que trabalham na parte administrativa do Centro Holístico, o Betão, um mineiro muito gente boa!

No meio da ecovila

Ao encostar minhas coisas perto da cama escolhida, já fui direto tomar banho. Aliás, esse foi um dos banhos mais esperados da viagem. Foi ótimo para aliviar todo o cansaço, tirar o suor e qualquer energia negativa da noite anterior. Quando sai do banheiro, o Felipe já estava a minha espera.

O Felipe, ou Fê, é um dos grandes irmãos que a vida me deu, quando eu fazia parte do CHOICE, ele era um dos responsáveis por cuidar do programa. Não me lembro ao certo como nossa amizade começou, mas ela já vem se mantendo por mais de 5 anos.

Um dos motivos do fortalecimento dessa amizade é que eu sempre senti que havia uma preocupação dele com a minha pessoa em muitos sentidos, em alguns casos até parecia um irmão mais velho que chega a ser chato, implicando com o irmão mais novo, mas que só queria o meu bem.

Ele também estava em um momento de transição de vida, queria viver algo novo e optou por passar um tempo em Piracanga, tirando aquela folga de São Paulo para aprender algo diferente, resolveu fazer uma imersão focada em Permacultura, que se chama Escola da Natureza.

Eu e o Felipe em Piracanga.

Foi mais um reencontro em pouco tempo de estrada. Não via o Felipe desde janeiro, quando passei o fim de semana com ele e o Dudu, outro amigo nosso, lá no Rio.

Já estava na hora do jantar, caminhei com ele até o restaurante, fui apresentado para algumas pessoas e finalmente pude comer. Essa também foi uma das refeições mais esperadas daqueles dias, já que a última tinha sido na conveniência do posto que passei a noite no dia anterior.

Como já falei, lá foi um dos melhores que mais comi melhor, uma pena não ter tirado foto de nenhuma refeição para vocês terem noção de como era a comida. Me recordo que sempre tinham 2 tipos de sucos naturais, misturando 2 frutas (exemplo: laranja com melancia), além de opções de saladas, algum creme feito com vegetais e mais uns 4 tipos de mistura, tudo vegano! Uma delicia!

Nessa refeição, devo ter repetido umas duas vezes, estava faminto. Após o jantar, acompanhei o Felipe até a sua casa. Entramos no meio da ecovila e a sensação de estar perto da natureza foi ótima, eu nem sabia para onde estava indo, somente seguia caminhando, até que chegamos na Casa da Floresta.

Banheiro seco da Casa da Floresta.

Esperei o Felipe jantar, comecei a conhecer o pessoal que morava com ele e depois fomos para uma pizzaria dentro da própria ecovila. Pelo que eu entendi, ela só abria no sábado e domingo, as vezes tinha música ao vivo. Então, virara o “point” da galera nos fins de semana.

Quando chegamos, ainda estava rolando a música e tinha muita gente, o Felipe comeu um doce vegano e ficamos até o som acabar, não foi muito tempo, já estava no finzinho, acabou antes das 11 da noite. Lá pessoal dorme cedo, então tinha que acabar cedo.

Depois, voltamos para o Centro Holístico, obviamente que eu não saberia andar sozinho no meio daquela escuridão, então o Felipe me acompanhou e me deixou na porta do alojamento. Voltei para o meu quarto, o cansaço já me avisava que eu precisava dormir.

Entrei e vi, mesmo no escuro, que tinha companhia, meus colegas de quarto estavam la. Eram algumas pessoas que estavam fazendo o curso de leitura de aura e já estavam na cama. Conversei rapidamente com eles, lembro que tinha uma argentina na cama do lado e logo dormi profundamente.

Entre o rio e o mar

No dia seguinte acordei muito bem, estava renovado! Levantei e tomei um café da manhã delicioso, dentre as novidades que experimentei, me lembro do cacau líquido que eles fornecem como bebida matinal, é como se fosse algo para substituir o café! Estava uma delícia, sem contar os pães, cremes e frutas.

Depois da refeição, encontrei o Felipe andando por lá e combinamos de darmos um mergulho no rio e no mar em poucos minutos. Voltei para o meu quarto, coloquei minha sunga e fui em direção ao rio.

Uma das coisas mais lindas ali de Piracanga é o pedaço de natureza entre o rio e o mar, uma das belezas mais puras que tinha visto até então. Dependendo do horário o nível do rio está bem baixo e da para atravessar com água somente até a cintura.

O rio e o mar!

Atravessei e dei de cara com o mar logo na minha frente! A praia deserta, também era uma das mais belas que já vi. Que lindeza! Que paisagem! Que lugar! Mergulhei, fiquei um tempo naquela água salgada aproveitando toda a sua energia boa.

Quando estava saindo para tomar sol, avistei uma moça sentada em uma canga. Sentei ao lado dela para conversar, o nome dela é Fernanda e como toda boa gaúcha, compartilhou comigo o mate e uma boa conversa.

Logo depois, de longe deu para avistar o Felipe chegando com as meninas que moravam com ele na Casa da Floresta. Eles se juntaram a nós! Depois de um tempo, tomamos um banho de mar e ficamos conversando por mais um bom tempo.

Antes de ir embora, caminhei por uma parte da orla da praia. O sol já estava começando a ficar mais forte, já se aproximava do meio dia, era hora de me resguardar. Voltamos, o Felipe me apresentou as dependências da ecovila. Lembro muito bem de como era a permacultura, as ocas e a escola. 

Caminhando pela orla.

Depois do almoço, descansei em uma das redes ali perto do rio e lá pelas 3 ou 4 da tarde resolvi me adentrar sozinho na mata em busca da Casa da Floresta!

Descansando na rede

A Casa da Floresta

Eu queria conhecer um pouco melhor a ecovila. Então, fiz um caminho totalmente diferente do que já tinha feito antes, obviamente que me perdi! Mas estava tudo bem, aproveitei para observar as novidades desse novo caminho, a natureza e as casinhas, uma mais linda que a outra.

Andei, andei e andei e de repente, sem querer dei de frente com o meu destino, a Casa da Floresta estava logo na minha frente. Achei incrível isso!

A casa é uma das mais legais que vi! Ela possui uma estrutura bem rústica, uma área comum muito grande, com cozinha, um banheiro seco, despensa e os quartos pra galera dormir. A casa é destinada para as turmas que fazem a imersão da Escola da Natureza.

O Felipe estava morando lá junto com mais umas 7 pessoas, se não me engano, lembro do outro Felipe, um casal muito gente boa, um gringo, uma guria e a Gabi, a única deles que consegui manter contato até hoje. Começou quando trocamos uma ideia no Whatsapp sobre Itacaré, Barra Grande, Boipeba e Chapada Diamantina, ela me pediu algumas dicas, pois iria com uma amiga depois.

Descansei e fiquei conversando mais um pouco com o pessoal, acho que foi nesse dia que o Felipe fez o cuscuz com a tapioca que eu levei para ele, pelo que me lembro ele só colocou a tapioca, leite de coco (natural), um pouco de açúcar e bateu tudo no liquidificador. Ficou muito bom.

Uma das coisas que mais achei interessante naquela casa foi a ausência da geladeira. No começo eu estranhei, mas depois, nas conversas com eles, entendi que aquilo era muito bom, pois evitava o desperdício de comida, além de mudar a relação com os alimentos, ou seja, eles cozinhavam aquilo que estava prestes a estragar primeiro, o que faz tudo ser muito bem aproveitado.

Casa da Floresta.

Banheiro Seco

Fui embora de lá somente para jantar. Fiz isso, tomei um banho e voltei novamente para a casa. Lembro que no caminho tinha um lugar tocando música ao vivo, fiquei alguns minutos ouvindo, acho que o cantor era venezuelano. 

A casa estava bem diferente de quando a encontrei a tarde, estava cheia, eles tinham combinado com um pessoal de fazer um jantar, fizeram um hambúrguer, que acho que era de lentilha, junto com um pão caseiro. Alguns insistiam para eu comer, mas como estava entupido de comida por causa do jantar, tive que negar, apesar disso, parecia estar delicioso.

A noite estava animada, muita conversa boa. Chegou uma hora que o sono bateu e eu resolvi ir embora para dormir. No meio do caminho aconteceu algo diferente. Lembro que uma das conversas com o Fê sobre a alimentação, ele me disse o quanto o hábito alimentar dele lá mudou a sua saúde para melhor, o intestino estava funcionando muito bem.

Ele comentou comigo que em algumas vezes era preciso até correr e achar um banheiro seco por perto! Comigo aconteceu algo parecido naquela noite. Chegando perto do Centro Holístico, me bateu uma vontade de ir ao banheiro absurda, que veio do nada! Encontrei um banheiro seco e corri até lá. Sentei no trono e me senti um rei!

Os banheiros secos eram bem confortáveis, tinham um espaço bom e sempre com alguma arte mostrando a sua importância para o meio ambiente.

Leitura de Aura

A segunda-feira foi bem marcante. Por sugestão e insistência do Felipe, marquei uma sessão de Leitura de Aura. Mal eu sabia que aquilo seria um dos melhores investimentos da viagem. Marquei com o Betão, uma das primeiras pessoas que conheci lá.

Apesar dele trabalhar na parte administrativa do Inkiri, ele também fez toda a formação de leitura de aura, ainda não era um terapeuta formado, precisava de mais algumas horas de leitura para que isso aconteça. Por isso, cobrava um preço mais em conta.

Por motivos óbvios, não vou entrar em detalhes sobre como foi a minha leitura, só digo que foi sensacional, na seção eu pude confirmar várias coisas que estavam acontecendo na minha vida e na viagem, inclusive algumas eu achava que eram apenas algumas paranoias.

Legal, a partir daquele momento tudo estava mais claro do que eu precisava trabalhar dali pra frente, foi um ótimo combustível para o resto da viagem. Eu gravei o áudio da leitura para escutar novamente, quando fosse preciso. Fiz isso em alguns momentos, meses mais tarde.

No mais, o dia foi o mesmo que os outros. A única coisa de diferente que teve é que o restaurante estava fechado, então as refeições foram no Espaço Açaí do Mar.  É como se fosse uma cantina que tem lá, e era onde o Fê fazia Seva, o tal do serviço desinteressado.

É como se fosse um trabalho voluntário, ou seja, ele trabalhava sem ganhar nada financeiramente, mas em compensação ganhava muito em conhecimento e aprendizado de coisas novas. Aliás, essa é uma das maneiras de imergir na comunidade, aprendendo muito, até surgir uma oportunidade de trabalho maior.

Lembro também de estar na rede durante a tarde e ver uma rápida sessão de dança circular em frente ao rio. Segue um vídeo de Dança Circular para quem não sabe o que é.

Dança Circular!

A noite sai sem rumo pela ecovila e vi o movimento das pessoas indo até uma casa, estava tendo um forró dos bons. Sentei e fiquei só curtindo a minha última noite em Piracanga.

Deu até para reconhecer um cara que fez faculdade no mesmo lugar que eu, na USP São Carlos, trocamos uma ideia rapidamente. Achei muito massa alguém formado em exatas deixando toda aquela formação racional do curso um pouco de lado e imergindo em uma comunidade como Piracanga, onde o foco está longe disso.

Meditação Sonora

Meu último dia em Piracanga começou com uma meditação sonora após o café da manhã. Ela ocorreu em um espaço onde algumas almofadas estavam dispostas para todos sentarem em círculo, lembro de sentar, fechar o olho e ouvir o som da música. Aquilo me deixou mais leve e me ajudou na preparação para partir!

Os dias em Piracanga foram ótimos, foi pouco tempo, mas deu para ter um gostinho do que é morar em uma comunidade com essa pegada, de como funciona a convivência em uma ecovila e afins. Lá querendo ou não a parte espiritual surge muito forte, não adianta querer escapar! A melhor saída é se entregar e permitir que aquilo ajude a transformar os dias em algo mais leve!

A sensação que ficou é que eu quero voltar algum dia, seja para fazer um retiro, um curso ou apenas para morar por um tempo! Até hoje fico imaginando como ser

Rio Piracanga

ia a minha viagem se eu resolvesse ficar por lá, vontade não faltou! Com certeza, tomaria um rumo diferente. A tentação foi grande, mas resolvi seguir o meu coração e seguir viajando, ainda tinha muito nordeste e Brasil para conhecer!

 

Voltei para o meu quarto, arrumei minhas coisas e mesmo com chuva resolvi dar o último mergulho no rio e no mar! Tomei um banho com a intenção de lavar e purificar um pouco mais a minha alma.

Deu certo, sai de lá muito leve, tomei um banho e fui para a recepção, onde o carro para Itacaré iria sair às 11 da manhã.

Agora que você já sabe como foram meus dias em Piracanga, confere ai o meu post sobre os aprendizados viajando sozinho!

Matheus Boscariol

27 anos, mochileiro, dando um rolê pelo Brasil.

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