#28. O Maior São João do Mundo

Depois de sair no meio da tarde de Recife, cheguei em Jampa, a nossa querida João Pessoa, já era início da noite. Durante o trajeto, na estrada, enquanto ganhava chão, a sensação de conhecer mais um estado tomava conta de mim: seja muito bem-vinda Paraíba!

Quem me acolheu por lá foi a Marina, uma grande amiga de alguns anos e estava residindo na cidade há alguns meses, ela foi super parceira e me aturou por uma semana na casa dela. Ela trabalha na secretaria de educação da Paraíba, conseguiu essa oportunidade por uma iniciativa muito bacana chamada Vetor Brasil, um programa de trainees que leva jovens talentos para trabalhar na área pública.

Já faz um tempo que eu sabia que ela era apaixonada por essa área e queria muito atuar na gestão pública. Estava bem feliz de ver que estava trilhando esse caminho e trabalhando com algo que gosta!

1 anos atrás em Floripa

Somente quando estava lá, percebi uma grande coincidência: fazia exatamente 1 ano que tínhamos nos encontrado pela última vez. Naquela época, ela morava em Sampa e eu em Floripa. Ela ficou alguns dias na ilha por motivos de trabalho e combinamos de jantar.

Eu estava em uma fase não muito boa da vida (conto com mais detalhes aqui), grandes obstáculos prejudicaram muito a minha adaptação na cidade. Quando cheguei em João Pessoa, acabei encontrando uma amiga passando por uma situação muito similar.

Parece que eu via o Matheus de 1 ano atrás na minha frente. Fiz questão de ajudar da melhor maneira, oferecendo um ombro amigo sempre que foi possível. Meses mais tarde, ela foi pra Jeri, passar o feriado de setembro, fiquei muito feliz em vê-la tão bem, era outra pessoa!

Um pouco do Centro Histórico de Jampa.

Andando pelo centro e pelas praias

A estadia em Jampa passou voando! Passei um dia inteiro visitando o seu centro histórico, que é muito bonito, mas achei um tanto quanto abandonado! O que eu mais gostei foi do mosteiro São Bento, participei de uma visita guiada com uma guia muito atenciosa.

Mosteiro de São Bento.

Nos outros dias aproveitei para ir às praias urbanas: Tambaú e Cabo Branco. A cor da água do mar ali é diferente (meio verde, meio azul), algo raro para uma praia urbana em meio a uma capital. A única coisa que me incomodou foi o fato de que lá venta demais. Acaba que, sentado no chão, muita areia batia nas minhas costas e isso me irritava um pouco.

Orla da praia de João Pessoa.

Em compensação a cerveja era bem barata, encontrava Brahma 600 ml por R$3,99, além de tomar água de coco geladinha por R$2. Ali por perto também tem algumas feiras de artesanato com peça muito lindas por todo canto e que mostram bem a cara da cultura paraibana. Toda vez que passava pela região, fazia questão de “perder” algumas horas conhecendo um pouco mais dessa cultura.

Praia de Cabo Branco.
Mais uma da praia…

Uma capital com cara de interior

Se não me engano, João Pessoa é uma das menores capitais do nosso país, ela lembra bem uma cidade do interior de estado estado maior, São Paulo, por exemplo. Aliás, dependendo de onde você está, há uma percepção totalmente diferente da cidade, pelo menos para mim foi assim.

Perto da praia por exemplo, as pessoas ressaltam o quanto a cidade é segura. Já no bairro em que fiquei, senti uma certa preocupação com a violência, principalmente por ser um bairro frequentado por muitos universitários, um público bem visado, o que estimula muitos furtos e roubos na rua. O centro histórico também achei nem um pouco seguro.

Talvez essa tenha sido a capital que eu mais fiquei em dúvida se é um ou não é um lugar tranquilo para se viver, vi desde pessoas andando sem preocupação nenhuma na rua, até aquelas mais tensas que parecem estar carregando um escudo, preocupadas, escondendo o celular enquanto estavam dentro do ônibus, etc.

O Maior São João do Mundo

No fim de semana tive a oportunidade de vivenciar algo único: conhecer a festa de São João de Campina Grande, a qual é intitulada o Maior São João do Mundo (tem uma richa com Caruaru, em Pernambuco, que diz que tem “O Melhor São João do Mundo”).

Eu e Marina no São João de Campina Grande 🙂

Enfim, se é o maior ou o melhor, pouco importa, só sei que eu me diverti muito! Fui em uma excursão saindo de João Pessoa que a Marina organizou com o pessoal que trabalha com ela na secretária de educação e outras meninas de outros estados que são amigas pelo Vetor Brasil (Lara, Ju, Aline e Paulinha).

Olha a fogueira!

Foi simplesmente incrível ter contato com aquele movimento pulsando no nordeste. Eu, paulista, jamais imaginava como era um São João, uma festa junina de verdade. Obviamente que tive um primeiro contato já em Maragogi e depois em Olinda, mas nada se comparou com o que vi em Campina Grande.

Parque do Povo!

Começamos o dia em um lugar que se chama Sítio São João, se não me engano. Provei algumas comidas típicas (gostei muito do Rubacão), dancei forró com as meninas, já estava com bem menos vergonha quando comparado com meses atrás.

Palco Principal.

A noite fomos no Parque do Povo, o lugar onde acontece os shows dos famosos que são abertos para toda a cidade. O lugar é gigantesco e tinha muita gente. Não ficamos até o fim da festa porque a nossa van teria que sair mais cedo. Seria legal ficar até o fim, mas mesmo assim o dia foi excelente, superou as expectativas!

Nós no maior São João do Mundo 🙂

Conhecendo o litoral sul

Meu último dia em João Pessoa foi uma segunda-feira. A japonesa disse que eu não poderia ir embora sem conhecer as praias do litoral sul do estado. Então, fui eu lá na orla da praia e fechei o pacote turístico para conhecer essa parte do litoral, que fica no município de Conde.

Sinceramente, não gostei muito do formato do rolê, a minha vontade era ir de ônibus e conhecer aquelas bandas somente pelas minhas pernas, mas naquele momento era a minha única opção, pesquisei sobre as alternativas de conhecer tudo de forma mais independente, mas sem carro, naquele momento, não ia rolar.

Barra de Gramame

O passeio foi mais rápido do que eu imaginei, o litoral sul da Paraíba realmente é único. No carro estava o guia, eu e mais uma menina. O roteiro começou com a praia Barra de Gramame, depois passamos pelo castelo da Princesa, a praia de Tambaba (que é naturalista) e, por fim, Tabatinga, que sem dúvida é a mais linda! Fiquei um tempão ali aproveitando o sol e o mar!

Castelo da Princesa

O guia pareceu ser muito gente boa no início, mas depois deu vários bolas fora, principalmente quando o assunto era ética e corrupção. O cara criticava o Uber por estar “roubando” o serviço dos taxistas, sendo que ele era funcionário público, deveria estar na prefeitura naquele momento, mas estava fazendo “bico” de guia, com a justificativa de que já tinha muita gente trabalhando.

Tabatinga
Tabatinga de novo!

Tá de sacanagem né?! Fiquei de cara quando ele me disse isso, resolvi nem me estressar e discutir nada com esse cara que se dizia mais um “cidadão de bem” desse nosso país. Depois do dia todo rodando, a noite fui curtir um forró em um barzinho chamado A Budega Café Arte. Lugar aconchegante e divertido!

Terça-feira cedo, me despedi da Marina, peguei um Uber até a rodoviária e aguardei o ônibus para o meu novo destino: A praia de Pipa no Rio Grande do Norte. Tomei um ônibus em direção a Natal e pedi para o motorista descer em Goianinha!

Continue acompanhando os próximos passos da viagem, curtindo a página do blog no Facebook!

Matheus Boscariol

27 anos, mochileiro, dando um rolê pelo Brasil.

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