#7. Que belo horizonte!

Agora sim estava chegando em BH para ficar um tempo um pouco maior, não era muito, coisa de 3 dias, mas já era mais do que as outras passagens que se restringiram somente à rodoviária e as suas redondezas!

O fato é que o pouco tempo que fiquei antes alimentou a minha vontade de estar lá por mais alguns dias. Além disso, eu queria muito conhecer o museu do Inhotim que fica em Brumadinho, uma cidade bem perto da capital.

Estava chegando de São João Del Rei, onde peguei uma carona com o Vinicius. Ele me deixou no Samba Rooms hostel, que fica no bairro da Savassi, já era de noite. O hostel é bem grande e bem movimentado, há muitos quartos que comportam de 8 a 10 pessoas, além de outros que são privativos.

Apesar de todo esse movimento, acabei não criando nenhum laço muito forte com ninguém por lá, pois me encontrava com as pessoas somente na hora do café da manhã e pela noite quando estavam se arrumando para sair. Além disso, era muito comum não encontrar as mesmas pessoas pela manhã, durante a noite, já que o fluxo de hóspedes lá parecia ser bem grande!

Outra coisa é que há muitas opções de coisas para fazer em BH, então cada um meio que faz o seu rolê e eu também não ficava muito tempo por lá durante o dia.

A Savassi é uma região muito boa e uma das mais badaladas da cidade, achei interessante a disposição das suas ruas principais, elas cortam as avenidas em diagonal e levam consigo os nomes dos estados brasileiros, começando do Amazonas e indo até o Rio Grande do Sul.

Fiz o checkin e já perguntei para uma das meninas do hostel se rolava lavar roupa, ela me perguntou quanto tempo estava viajando, pois só a galera que fazia viagens longas pedia isso por lá hahahahaha.

Estava bem cansado do dia que tinha passado em São João e também da viagem. Fui dormir!

Um pulo na rodoviária

No dia seguinte acordei bem cedo, solicitei o serviço de lavanderia do hostel e fui tomar café.

Durante a refeição fiquei trocando ideia com uma venezuelana que era voluntária do hostel. Eu queria muito saber qual era a sua visão sobre a situação do seu país.

Eu particularmente gosto muito de perguntar sobre isso para os venezuelanos que vou encontrando durante o caminho, para entender a percepção dessa confusão toda, vindo de alguém que é nativo de lá.

Afinal, sabemos que o país está em uma crise muito preocupante, mas nesse processo de propagar a informação, acho que há muito julgamento e muita gente querendo ser especialista de um lugar em que mal conhece.
Infelizmente eu não conheci ninguém da Venezuela que estava por lá recentemente, então não consegui informações mais relevantes das quais acessamos hoje em dia.

Terminei o meu café e sai para bater perna pela cidade! Dei uma passada no Mercado Central, vulgo mercadão para nós paulista. Ele é bem movimentado e, assim como todo mercadão, se vende de tudo por lá.

No caso do de BH, notei que tinha muita cachaça, muito queijo e uma grande quantidade de botecos fazendo tira gosto pra galera comer! Ou seja, o lugar respira Minas Gerais e propaga bem todos os seus hábitos e sua cultura!

Desci até a rodoviária e já comprei minha passagem de ida e volta para o Inhotim! Saiba que você não precisa necessariamente se hospedar em Brumadinho para visitar o museu, tem um ônibus que sai de BH todos os dias para lá às 8h30 e volta às 17h30.

Fachada do Mercadão de BH

Pampulha

Depois disso, subi algumas ruas e peguei o MOV, uma linha de ônibus mais moderna, que é bem parecida com os corredores de ônibus de Curitiba e foi construída especialmente para as Olimpíadas, até a região da Pampulha. Pedi para o cobrador me avisar quando chegasse por lá.

Nem precisou! Já reconheci a lagoa quando ela apareceu logo na minha frente! Desci no ponto que fica em frente a capela (ou igreja) que tem por lá!

Conhecer a Pampulha era uma das minhas prioridades na cidade, para mim ir para BH e não passar por lá é a mesma coisa que não ir. Então, queria muito passar uma tarde tranquila naquela região!

Pois bem, dei uma boa andada por lá: visitei a igreja, dei meia volta na lagoa, fui para a casa do baile e até deu tempo para dar uma passadinha na frente do Mineirinho e do Estádio Mineirão.

Parte de trás da Igreja da Pampulha
Lago da Pampulha

No meio da tarde, o Vinicius, que me deu carona de SJDR para BH, me mandou uma mensagem para a gente se encontrar na praça do Papa.

Eu tinha esquecido o meu chinelo no carro dele e ficamos de combinar um local para que eu pudesse pegá-lo. Achei legal ele propor esse lugar, pois eu nem sequer imaginava que existia!

“Que belo horizonte!”

Cheguei novamente no hostel e já sai para caminhar em direção da praça do Papa. O próprio Vinicius me sugeriu pegar um taxi lotação para chegar até lá.

Esse tipo de taxi sobe uma grande avenida que corta (quase) todo o centro de BH, a qual não lembro o nome, ele vai parando no caminho e vai colocando uma galera no carro para compartilhar esse trajeto. Custa cerca de 4 reais, se não me engano.

Achei isso  uma boa ideia, já que quase todo mundo que está na avenida precisa subir ou descer uma grande distância. Então, nada mais justo do que botar esse povo para compartilhar um carro.

A praça do Papa fica em um ponto bem alto da cidade. O Vinicius me contou a sua história, ela ganhou esse nome pois quando o Papa João Paulo II visitou a cidade, chegou nessa praça, olhou a vista da cidade e disse: “Que belo horizonte!”

Realmente a vista de lá de cima é sensacional! Da para ver boa parte da cidade e o fim de tarde é lindo! No mais a praça é bem normal como qualquer outra!

Achei muito massa essa amizade que fiz com o Vinicius, jamais pensaria que uma carona poderia virar nisso, são apenas boas surpresas que a estrada nos dá! Ficamos por lá conversando e ele levou o seu ukulele para fazer um som também.

A fome bateu e ele sugeriu irmos para um trailer, comer um macarrão na chapa, lá por perto! O prato parecia um X tudo de macarrão mesmo, o seu custo benefício é bem bom!

Já estava caindo a noite, o Vinicius voltou para a casa da namorada dele e eu ao hostel.

Uma amostra da vista da Praça do Papa

Inhotim

No outro dia acordei bem cedo, umas 6 meia! Tomei banho, deu até para pegar o café da manhã no hostel! Fui mais uma vez a pé para a rodoviária!

Aproveitei para consultar a disponibilidade de passagem para Eunápolis, na Bahia, no dia seguinte. Ainda bem que fiz isso, só tinham mais 2 vagas no horário que eu queria partir! Não perdi tempo e já comprei a passagem!

Desci para a área de embarque e entrei no ônibus! Fui todo o trajeto dormindo e escutando música! Acordei bem no momento da chegada à entrada do Museu.

Não sei porque, mas estar ali me lembrou as excursões para o Hopi Hari, quando estava no ensino fundamental. Acho que o motivo é o fato da entrada do museu ser tão bonita quanto a do parque de diversões!

Para quem não sabe o Inhotim é considerado o maior centro de arte ao ar livre da América Latina. Suas exposições são majoritariamente compostas por arte contemporânea.

Há 2 tipos de ingresso para acessar as suas instalações: o normal e outro em que está incluso o transporte pelo parque por meio desses carrinhos de golfe, o primeiro custa cerca de R$40 e o segundo estava custando uns R$20 a mais. Optei pelo mais barato.

O museu é imenso, fiquei maravilhado só de visualizar a sua extensão ao receber o mapa! Ele é recheado de muitos circuitos e galerias com exposições muito bem trabalhadas artisticamente. Agora, pense nisso em um espaço muito lindo e totalmente arborizado.

Da até para filosofar um pouco e chegar a conclusão de que a mistura da arte com a natureza é uma das combinações mais agradáveis da vida!

Inhotim

Com certeza não dá para conhecer tudo em um só dia! Eu até consegui andar bastante e conhecer boa parte das galerias, mas se for prestar a atenção em todos os detalhes possíveis, pode levar muito mais tempo…

Sem contar que perto da hora do almoço e no fim da tarde o meu cérebro já não estava funcionando muito bem, com o tanto de informação que tinha sido jogada nele até ali.

Inhotim
Inhotim

Eu realmente queria ter uma capacidade de interpretação artística muito maior do que tenho! Fiquei meio perdido com muita coisa ali, mas deu para sentir um pouco do espirito de toda aquela arte e o que ela representa!

Acho que ali eu tive um primeiro clique, durante a viagem, de que precisava dar mais atenção para o desenvolvimento e estímulo desse lado na minha vida! Foi um bom começo!

Mais Inhotim…

Lembro que um dos momentos mais agradáveis daquele dia foi na hora do almoço, quando parei e sentei no gramado do lago que tem por lá. Aproveitei para relaxar e pensar na vida, tirando aquela sesta pós almoço!

Pão moiado com zoiudo

Lá pelas 7 da noite já estava de volta a BH, pedi para o motorista do ônibus me deixar no caminho antes de chegar à rodoviária, parei em um posto e peguei um Uber até o hostel!

Cheguei, tomei um banho rápido e já pedi outro Uber, esse era para me levar até Santa Tereza.

Uma coisa que preciso comentar é que todos os motoristas de Uber que peguei em BH fizeram jus a simpatia e ao acolhimento do povo mineiro, que é facilmente notável. Posso dizer que tive um guia turístico diferente a cada carro que eu entrava. Sensacional!

Apesar de estar na Savassi, recebi algumas dicas de que valia a pena conhecer a vida boêmia do bairro de Santa Tereza. Era para lá que eu queria ir!

Fui encontrar o Bruno, que é um amigo da época de Embaixador CHOICE, ele mora em BH e sugeriu tomar um cerveja lá no Bar do Bolão, um dos mais famosos da região.

No ano passado quando eu estava morando em Floripa, ele estava indo participar do RD Summit e me mandou uma mensagem para nos encontrarmos. Agora nada mais justo do que eu retribuir essa gentileza! Então, fiz questão de avisá-lo que estava na área!

Cheguei no bar e ele já estava me esperando. Começamos a tomar umas cervejas e colocar a conversa em dia. De repente ele me pergunta: Cê tá com fome? Eu: sim!
Ele chamou o garçom e pediu: Vê 2 pão moiado com zoiudo! Eu olhei pra ele e falei: O que?

O Bruno só olhou pra mim e disse: Confia em mim que você vai gostar! Quando o garçom veio com o prato, fiquei de cara! Ele é um pão com molho a bolonhesa, com ovo e queijo por cima. Sensacional! É uma delícia e, segundo ele, é um dos rangos que mais tem saída por ali!

Depois chegou um amigo do Bruno, ficamos bebendo e trocando ideia até altas horas, acho que era umas duas da manhã! Quando fomos embora, a ideia era dar uma volta de carro para conhecer a noite mais “underground” da cidade ali naquela região, mas já estava quase tudo fechado.

Depois disso, eles me levaram de volta ao hostel.

Pão moiado com zoiudo

Quebrando o gelo

O último dia em BH foi bem de boa! Acordei, tomei banho, arrumei minhas coisas e fiz o checkout no hostel!

Terminei uns trabalhos que tinha pego na internet logo pela manhã e resolvi tirar o dia para dar uma andada ali pela Savassi mesmo. Quando eu fui pedir para a Clara, que era staff e voluntária do hostel, abrir a porta para mim, notei que estava tocando um reggae dos bons!

Resolvi, então, quebrar o gelo com ela, já que não tínhamos trocado uma palavra, além das coisas formais que envolviam a relação hóspede-hostel, e elogiei a sua trilha sonora! Lembro que ela abriu um sorriso, agradeceu e comentou que era o último dia dela trabalhando lá e por isso colocou essas músicas.

Começamos a conversar e descobri que ela também estava viajando no esquema de trabalho voluntário e tinha passado por São Thomé das Letras também! Aliás, ela estava em uma viagem bem mais roots que a minha, saindo do Rio, pedindo carona na estrada e tudo mais.

Trocamos contato pensando em nos encontrar em breve, visto que ela também iria para a Bahia logo logo! Acho que essa foi a primeira vez na viagem que eu senti como vale a pena tentar trocar meia dúzia de palavras com as pessoas para ver se algo flui ali. Ainda bem que isso aconteceu bem cedo!

Pois bem, sai e fui conhecer o Patio Savassi, o shopping que fica ali naquela região. Comprei algumas coisas que estava precisando e depois voltei e passei um tempinho na praça perto do hostel, a qual não me lembro o nome.

Voltei ao hostel no meio da tarde, tirei um tempo para atualizar o meu diário até chegar o início da noite. Depois disso, me troquei e chamei o último Uber da minha estadia em BH para me levar até uma estação de ônibus, que não era a rodoviária, para embarcar no ônibus rumo a Eunápolis.

Cheguei e fiquei esperando uns 40 minutos. Estava ansioso! Esse seria o primeiro trajeto para chegar no meu próximo destino: Caraíva!

Quer saber um pouco mais sobre os meus aprendizados viajando sozinho? Então, dá um olhada no post que escrevi sobre o assunto!

Matheus Boscariol

27 anos, mochileiro, dando um rolê pelo Brasil.

One thought on “#7. Que belo horizonte!

  • 4 de January de 2018 at 21:25
    Permalink

    A avenida que corta todo o centro e que você pegou o taxi chama Avenida Afonso Pena. ahahahah

    Muito legal as histórias…hj tirei um tempinho para ler.

    Abração

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