#20. Paz e gentileza em Piranhas

Depois de acordar na tranquila Aracaju, naquele domingo pela noite já estava na tão desejada cidade de Piranhas, estava colocando meus pés em mais um estado brasileiro: Era a vez de conhecer Alagoas. O táxi me deixou ali na parte histórica da cidade, bem perto do Rio São Francisco.

Caminhei por poucos metros para encontrar o Albergue Maestro Egildo Vieira. Tinha recebido ótimas referências de lá, tanto de amigos mochileiros, quanto de outras avaliações que consultei na internet. Era ali que queria ficar, cheguei, mas estava fechado!

Tive que esperar um pouco e foi muito bom. Ali já deu para perceber o quão acolhedoras as pessoas são por lá: A vizinha praticamente me obrigou a sentar em uma cadeira enquanto ligava para o Nei, o responsável pelo albergue.

Em poucos minutos recebi o telefone, troquei algumas palavras com ele, que logo saiu da sua casa em um domingo a noite e se dirigiu para abrir o hostel para mim!

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#19. Nos arcos do Atalaia

Mais uma vez, estava eu na rodoviária de Salvador, a terceira passagem em duas semanas. Agora estava me despedindo da capital e do nosso querido estado baiano. Me lembro como se fosse hoje, a sensação era a mesma de estar indo embora de casa rumo a um destino incerto.

Sair da Bahia foi mais difícil do que imaginei que seria. Mas, bola pra frente, estrada que segue, temos que ser feliz em outros lugares também! Entrei em um ônibus rumo a mais um estado brasileiro desconhecido até então: Sergipe. A cidade escolhida foi outra capital brasileira: A tranquila e aconchegante Aracaju.

Não consigo me lembrar muito de como foi exatamente o caminho entre as duas cidades, só me recordo que estava chovendo muito. Com certeza essa foi uma das piores viagens que fiz na vida. Não pela estrada, pelo ônibus ou pelo destino…

Foi um conjunto de fatores: Tive um pesadelo bem pessoal na noite passada, junto com o sentimento triste de deixar a Bahia para trás e, para ajudar, não consegui comprar um assento na janela, viajar no corredor foi horrível, não conseguia ver nada da estrada! No meio do caminho somente desejei que aquela viagem acabasse logo!

Finalmente o longo caminho chegou ao fim, já eram 4 e meia da tarde de um sábado. Tinha chegado na rodoviária nova de Aracaju. Peguei minhas coisas, caminhei poucos metros e já estava no terminal de ônibus.

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#18. Cidade alta ou cidade baixa?

Ir para Salvador realmente me deixava muito confuso. Ao mesmo tempo em que queria estar ali, também não queria estar. Conhecer melhor a capital baiana e toda a sua parte cultural, que é algo bem diferente das capitais do sul e sudeste que já tinha conhecido ou morado, era algo que me deixava animado.

Porém, muitos me falavam sobre esse lugar com uma certa cautela, a violência e os problemas sociais é algo marcante na vida do soteropolitano. Logo, essa realidade, que nada mais é do que um reflexo de muitos lugares do Brasil, atrapalha e incomoda muito a vida deles.

Sem dúvida alguma, esse é um dos motivos que fazem Salvador transparecer ser uma cidade perigosa. Analisando friamente, agora, quando se trata de uma grande capital, infelizmente não tem como fugir dessas questões, pelo menos no dias atuais. Quem sabe em um futuro próximo…

Apesar de todo esse dilema, a minha vontade de conhecê-la era muito maior. Já tinha adiado muito a passagem por lá, estava na hora de enfrentar essa adversidade e simplesmente ir. Durante toda a minha viagem, sempre quando surgia algum impasse assim na minha cabeça, eu procurava respirar, projetar coisas boas e somente desejar ter uma boa experiência.

Foi isso que eu fiz antes de embarcar no ônibus, naquela noite na cidade de Palmeiras, para Salvador.

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#17. Caminhando em direção ao céu

Após me despedir dos franceses, que me acompanharam no trajeto de Boipeba até Salvador, parei por um minuto e vi que estava no meio de todo o caos de uma cidade grande. A última que tinha passado foi a nossa querida capital mineira Beagá, há quase 2 meses atrás.

Que choque! Eu, com duas mochilas, no meio da rotina e do movimento de uma cidade a todo vapor. Muitos motoristas me ofereciam corrida até a rodoviária a preço de “Uber”, mais ou menos uns 30 pila… sem chance. Cheguei em um ponto de ônibus ali no meio de uma avenida, estava super movimentado.

Perguntei para várias pessoas sobre qual ônibus me deixaria na rodoviária. Todos me diziam que muitos passavam, mas não sabiam qual deles exatamente era. Até que um deles parou e alguém me falou: “Esse vai”. Sem pensar muito, entrei e perguntei para a cobradora, já dentro do ônibus, para confirmar a informação, ela me disse que sim, mas que pararia na passarela que liga a rodoviária até um shopping nas proximidades.

Sinceramente não queria descer ali, tinha um pouco de receio daquele lugar depois de saber do caso de um amigo que tinha sofrido uma tentativa de assalto passando por lá em pleno movimento a luz do dia. Além disso, outras pessoas que conheci, me relataram o quanto aquela passarela era perigosa. Enfim, não tinha o que fazer, já estava indo para lá.

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#16. Refugando Morro de São Paulo

Reler o meu diário para escrever esse post me trouxe ótimas lembranças, estava com um sorriso no rosto o tempo todo, do início ao fim! Muito bom lembrar de dias que foram incríveis de uma forma tão natural!

Todos os lugares que eu fiquei por muito tempo, morando e vivendo, me trouxeram momentos que me marcaram. A grande peculiaridade de Boipeba, na Bahia, é que tive uma experiência muito semelhante, mas com o tempo bem mais curto: Menos de uma semana.

Vontade de ficar lá não faltou, infelizmente ou felizmente não deu muito certo. Apesar disso, escrevo agora para celebrar aquela semana inesquecível, dias que valeram muito a pena. Engraçado, justo Boipeba que eu também jamais sabia sequer da sua existência antes de partir. Santa ignorância!

Coloquei esse destino no meu radar porque recebi muitas recomendações de hóspedes que fiz amizade lá em Caraíva. O tempo por lá foi tão bom que nem deu tempo de atualizar o meu diário em nenhum dos dias. Fui só refletir e digerir o que aconteceu quando estava em Salvador, esperando o ônibus para Lençóis, a principal cidade da Chapada Diamantina.

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#15. De Taipu de Fora até Taipu de Dentro

Depois de uma semana intensa em Itacaré, com sol, chuva e praias novas, estava na hora de conhecer outro paraíso. Meu próximo destino foi Barra Grande (da Bahia), que fica bem ao norte de Maraú.

Na rodoviária de Itacaré, junto com a Bri, tomei um ônibus para Camamu, de lá pegaríamos um barco ou lancha rápida para Barra Grande. Como a estrada que liga Itacaré até Barra Grande é bem precária, essa é praticamente a única alternativa existente de transporte coletivo.

Não me recordo ao certo quanto tempo a viagem levou, só lembro que, ao sentar na poltrona, descansei, nem vi o tempo passar. Quando o ônibus fez a parada na cidade de Camamu, já entrou um cara dentro dele, perguntando quem ia para Barra Grande.

Ele nos ofereceu a lancha por R$ 20, a próxima iria sair em poucos minutos. Aceitamos e ele nos levou até o porto, onde embarcamos. Depois de uma hora e meia, com uma vista incrível, estávamos atravessando o deck em direção ao receptivo turístico de Barra Grande.

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#14. O paraíso baiano

O fim de semana emendado com o feriado foi muito bom! Os 3 dias em Piracanga passaram muito rápido. Às 11 da manhã entrei no carro que me levaria para a cidade de Itacaré. Tinha a companhia, além de um motorista português, de mais um menino de uns 10, 11 anos da comunidade, que foi deixado em uma escola ali perto, e mais um pessoal que foi fazer um retiro com foco em detox nos dias anteriores.

Assim como todo mundo que perguntava o que eu fazia da vida, quando falava que estava viajando, queriam saber como era viver dessa maneira, contei um pouco do que já tinha encontrado por aí no pouco tempo de caminhada. Com essa conversa, a volta até Itacaré passou voando.

O motorista me deixou em uma praça. A partir dela, caminhei até a Rua Pituba, a mais badalada da cidade.

A sensação era que estava “de volta a realidade”. Por um momento fiquei com uma certa dúvida, enquanto caminhava me questionava se eu já não estava fora da realidade por estar vivendo longe de uma rotina padrão, algo presente nos meus últimos 3 anos de vida… fiquei um tempo viajando nesse pensamento.

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#13. O amor em mim saúda o amor em você

Depois de um dia totalmente fora do comum, entrei no ônibus para Itabuna e simplesmente capotei! Só acordei perto de chegar na rodoviária, que estava lotadíssima, creio eu que muita gente teve que postergar a sua viagem de sexta para o sábado.

Em uma situação normal, eu deveria esperar apenas alguns minutos para embarcar no próximo ônibus para Itacaré, mas ele estava muito atrasado, em mais de uma hora. Finalmente ele chegou! Entrei, sentei, mas dessa vez não consegui pregar o olho.

Depois de passar por Ilhéus, cheguei na cidade intitulada de “Paraíso Baiano” perto das 3 da tarde. A rodoviária é bem pequena, subi uma rua e já estava em uma das avenidas principais. Eu não iria ficar em Itacaré naquele momento, passaria 3 dias desligado do mundo, na Ecovila de Piracanga, ela fica em um local bem afastado da cidade, indo em direção ao norte da península de Maraú.

Eu estava esperando o transporte agendado para me levar para a ecovila em um ponto combinado. Era um supermercado ali mesmo na avenida principal.

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#12. Hoje o ônibus não vai sair

E depois de 1 mês e meio, estava eu novamente na estrada. Dessa vez, dentro de um carro em movimento, percorrendo uma estrada com trechos de terra batida, acompanhado por duas gurias soteropolitanas, só observando a chuva cair.

Tirei uns 2 minutos para olhar profundamente para fora do carro e tentar processar tudo que tinha acontecido até ali, foi em vão, minha cabeça não me deixava focar e nem me concentrar. Caraíva foi muito bom, mas estava na hora de buscar mais bons momentos como os que vivi por lá, escrever mais histórias no meu diário…

Voltei para a realidade e comecei a observar o quão precária era a estrada que estávamos passando, a chuva, que oscilava entre forte e fraca, formou poças enormes, cada vez que o carro passava era um alívio, o medo dele atolar era grande, pelo menos para mim.

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#11. 19 de abril

Caraíva é um lugar mágico, diferente de qualquer outro que já estive até então. Independente de ser considerado turístico ou não, aquele vilarejo é recheado de histórias de pessoas iguais a mim ou você, que está lendo esse post.

Alguns nasceram lá, outros apenas descobriram um lugar tranquilo para morar, outros foram fazer negócios, outros apenas turismo, mas quase todos que vão, desejam voltar algum dia.

Independente de quem quer que seja, uma coisa não dá pra negar: Caraíva encanta qualquer um que coloca os pés em suas “ruas” tomadas por areia! Uma das histórias mais interessantes que eu conheci é a de um francês que mora lá há mais de 20 anos.

Daft Punk

Será que Caraíva, uma ONG e a dupla Daft Punk tem algo em comum? Pode acreditar, tem sim!

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